Expansão portuária em Itaguaí acompanha recorde de produção de petróleo
Investimento de R$ 177 milhões cria área exclusiva para granéis líquidos e aumenta a previsibilidade das operações
O aumento da produção de petróleo brasileiro, que em junho de 2026 chegou a 5,842 milhões de barris de óleo equivalente por dia, tem pressionado a cadeia logística de escoamento. Para atender à demanda, o Porto Sudeste, em Itaguaí, inicia a ampliação de sua estrutura, que deve ficar pronta no primeiro semestre de 2027.
Nova infraestrutura para granéis líquidos
O projeto inclui seis dolfins de amarração, dois dolfins de atracação e uma plataforma de apoio com sala elétrica e sistema de combate a incêndio, totalizando um investimento de R$ 177 milhões. Essas estruturas marítimas fixas permitirão a atracação de navios sem ocupar o píer usado atualmente para minério de ferro.
Separação de cargas e ganho de eficiência
Com a entrada em operação dos dolfins, o terminal passará a contar com área dedicada exclusivamente ao petróleo e seus derivados, eliminando a disputa por janelas de atracação entre granéis sólidos e líquidos. Essa separação aumenta a previsibilidade da programação de navios e reduz atrasos operacionais.
Capacidade ampliada e previsões de movimentação
Ao final da obra, o Porto Sudeste poderá realizar até 144 operações anuais com granéis líquidos, comparado a 19 operações em 2025 e 12 até meados de 2026. Cada operação costuma movimentar cerca de um milhão de barris, sinalizando a aceleração da demanda por transbordo de óleo no terminal.
Integração com a cadeia do pré-sal
A proximidade do terminal com a Bacia de Santos, principal província produtora do pré-sal, reforça seu papel como alternativa logística para o escoamento offshore. O porto já oferece condições favoráveis ao transbordo a contrabordo, permitindo a transferência de carga entre duas embarcações lado a lado, sem necessidade de atracação em cais fixo.
Impactos regionais e regulatórios
A ampliação ocorre simultaneamente à modernização do Porto do Rio de Janeiro, que agora recebe navios da classe New Panamax após obras de dragagem. Além disso, a Resolução ANP nº 1.007/2026 atualizou as regras de distribuição de royalties, reabrindo o debate sobre a repartição de receitas entre municípios como Itaguaí, que sediará parte relevante da infraestrutura de escoamento do pré-sal. O aumento da capacidade portuária tende a gerar oportunidades para fornecedores e prestadores de serviços logísticos, tornando a região mais atrativa para novos negócios ligados à cadeia de óleo e gás.
Com informações de Portogente, Folha de S.Paulo, G1.
Fonte: Portogente, Folha de S.Paulo, G1