ex-ministro Oliveira na mira da PF em esquema do INSS
Investigações revelam ligações entre ex‑ministro e empresários envolvidos em fraudes milionárias

Gravações de câmeras de segurança na casa de Anderson Cordeiro de Vasconcelos, investigado pela Polícia Federal, revelam que o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira teria sido quem abriu portas para que o grupo conhecido como golden boys firmasse contratos com o INSS. Os empresários, entre 28 e 38 anos, presidiram quatro associações suspeitas – Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, Aasap e Andapp – que, juntas, faturaram mais de R$ 700 milhões com descontos indevidos nas aposentadorias.
O que os vídeos mostram
As gravações, datadas de 22 de maio de 2025, mostram Anderson e Igor Dias Delecrode conversando sobre como conseguiram o primeiro acordo de cooperação técnica com o INSS. Delecrode diz que Wilson Roberto Gomes, pai de Felipe Macedo Gomes, teria sido quem apresentou o contato ao ex-ministro. Anderson acrescenta que Wilson teria dito a Oliveira: "Faz pro meu filho como se fosse pra mim". O grupo afirma que não tinham conhecimento de nenhum helicóptero para o "big boss" e que o negócio seria encerrado em breve.
Valores e pagamentos à Oliveira
Quebras de sigilo bancário revelaram que Felipe Macedo Gomes transferiu R$ 8.000 a Oliveira como pessoa física, enquanto João Carlos Camargo Júnior, alfaiate conhecido entre famosos e políticos, enviou R$ 12.500. O ex-ministro também está sob suspeita de ter recebido valores maiores por meio de operadores ligados a associações do esquema.
Medidas adotadas pela Justiça
Em abril de 2026, o ministro do STF André Mendonça determinou, a pedido da PF, que os golden boys usassem tornozeleiras eletrônicas. Oliveira, que já estava sob a mesma medida, teve a tornozeleira retirada em 8 de setembro de 2026. O inquérito ainda está em fase final.
Defesas e contestação
Os advogados dos envolvidos afirmam desconhecer a existência dos vídeos ou considerá-los obtidos de maneira ilícita. A defesa de Oliveira nega qualquer relacionamento com os empresários e sustenta que não teve ingerência na celebração dos acordos de cooperação técnica. O ex-ministro também afirma que nunca manteve relacionamento particular ou profissional com os suspeitos.
Contexto do esquema
O esquema de fraudes, chamado de “Farra do INSS”, permitia que as associações descontassem mensalidades de aposentados de forma indevida, oferecendo serviços como seguros e planos de saúde. A Operação Sem Desconto, deflagrada em maio de 2025, investigou desvios de R$ 6,2 bilhões em aposentadorias e resultou na apreensão de 29 carros de luxo pertencentes aos investigados.
Próximos passos
O inquérito sobre o grupo ainda está em fase final, e a PF continua a coletar evidências sobre o alcance do esquema e a extensão das ligações entre os envolvidos. O caso permanece em alta, pois envolve altos valores e a participação de um ex-ministro da Previdência.
Com informações de Poder360, Estadão, Metrópoles.
Fonte: Poder360, Estadão, Metrópoles