Revelações sobre pagamentos ao filho de Kassio Nunes Marques
Diálogo de celular e investigação do caso Master colocam o ministro em foco
Conversas encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelaram pagamentos mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. A divulgação das mensagens coincidiu com a sessão do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisará a autorização de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
O que dizem as mensagens entre Vorcaro e o Master
Em agosto de 2025, o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó Netto, enviou a Vorcaro um contato de Kevin Marques e escreveu que "está faltando um pagamento à 'consult'". Em outra mensagem de julho de 2025, Rennó questionou se deveria manter o repasse de "500 mil mês" ao advogado, ao que Vorcaro respondeu com "kkkk".
Pagamentos à Consult Inteligência Tributária
Reportagem do Estado de S.Paulo indicou que a Consult Inteligência Tributária pagou R$ 281,6 mil a Kevin Marques por serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa. A assessoria de Kevin afirmou que ele nunca prestou serviços ao Banco Master nem recebeu dinheiro de Vorcaro, reconhecendo apenas o recebimento da Consult.
Reação do ministro Kassio Nunes Marques
Em nota, o ministro Kassio Nunes Marques declarou que nunca votou a favor do Banco Master e que seu filho nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro. O texto explicou que o voto do ministro em um caso sobre indenizações de usinas sucroalcooleiras foi tomado enquanto ele atuava como vice-presidente do TRF-1, e que a decisão não tinha relação direta com o Master.
Plenário do STF e investigação de Moraes
As conversas surgiram poucas horas antes da sessão em que o plenário do STF decidirá se autoriza investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes por sua relação com Vorcaro. O plenário avaliará se 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes constituem indício mínimo para instaurar apuração.
Posicionamento de André Mendonça
O ministro André Mendonça, relator da apuração, negou irregularidades na condução da investigação. Em manifestação apresentada ao presidente da Corte, Edson Fachin, Mendonça explicou que determinou à Polícia Federal a identificação das pessoas mencionadas nos diálogos de Vorcaro e que a intimação de delegados ocorreu presencialmente para preservar a higidez dos autos.
Conclusão do cenário atual
O caso Master, ao envolver pagamentos a Kevin Marques e a possível influência de membros do STF, trouxe à tona discussões sobre a condução das investigações pela Polícia Federal e o papel dos ministros na avaliação de possíveis conflitos de interesse. As decisões que serão tomadas no plenário definirão os próximos passos da apuração e poderão impactar a percepção pública sobre a independência do Judiciário.
Com informações de O GLOBO, Estadão.
Fonte: O GLOBO, Estadão