O revival de Oberon de Weber ganha vida nos Proms
Condução de Timothy Knapman e narração de Tamsin Greig renovam o libretto fantasioso

Em 4 de agosto de 2026, a estreia de Oberon, a última ópera de Carl Maria von Weber, chegou aos Proms de Londres. A produção contou com nova narrativa de Timothy Knapman e narração de Tamsin Greig, mantendo a partitura original intacta.
A história de Oberon e seu legado
Weber escreveu Oberon em Londres, há cerca de 200 anos, para o teatro Covent Garden. Ele faleceu de tuberculose pouco depois da estreia, em 1826, aos 39 anos, e foi sepultado ao norte do Barbican. Década depois, Wagner recolheu os recursos para repatriar o corpo, que foi transportado a Dresden, onde recebeu novo enterro acompanhado da fantasia para banda de sopro baseada em temas de Euryanthe.
Por que o libretto precisa de nova roupagem
O libreto, de James Robinson Planché, foi descrito como uma “phantasmagoria” que mistura fada, ilhas desertas, piratas, cruzados e uma Arábia imaginária. Elementos de "The Magic Flute" de Mozart e de filmes de James Bond surgem ao lado de comparações com os musicais de Ivor Novello, cujas extravagâncias não envelheceram bem. Por isso, para montar Oberon hoje, o texto precisa ser reescrito; Knapman criou uma narrativa única que respeita o original, mas “blows the dust off it”.
A música permanece impecável
O maestro afirma que “the music needs not a jot of revision”, pois a partitura conserva “immediacy and daring” que ainda surpreendem. A abertura da ópera, com silêncio inicial e três notas long-short-long no corno, introduz o chamado de Oberon a seus chargeiros mortais. Logo após, surge “manic fairy energy” que mistura personagens e melodias de forma “brilliant and fast”. A orquestra periodística do Orchestre Révolutionnaire et Romantique traz a “litheness” necessária, usando trombones leves e destacando a paleta de cores, sobretudo nos madeiros, como indica o pensamento imaginado de Weber: “Ah, this moment has got a bit of melancholy … we need to make sure this is clear. Let’s bring the clarinet in as well as the strings, to give another yearning quality.”
Detalhes da produção nos Proms
O ato um termina com um final que destaca a heroína Reiza, que, após um sonho, clama por Sir Huon para salvá-la de um casamento forçado. Ela e sua serva Fatima cantam um dueto antes de um march que representa a guarda do harém. O diretor colocou um pequeno conjunto de sopros e percussão no topo do palco, separado dos demais músicos, para marcar a “last chance” de Reiza antes das portas se fecharem. A segunda parte traz a ária de Reiza, “Ocean, Thou Mighty Monster”, onde ela tenta atrair resgate, mas é capturada por piratas, enquanto Huon usa o corno mágico para pedir ajuda. O dicionário Grove descreve o libreto como “a picaresque farrago of nonsense”.
Desafios de voz e coral
Weber oferece papéis que exigem “Olympic heldentenor” para Sir Huon; o tenor John Findon foi escolhido para esse papel, comparado a “Wimbledon”: “You have to get your first serve in when you sing this sort of music.” O coro, representado pelo Monteverdi Choir, deve assumir múltiplas identidades – fadas, elfos, escravos, cortesãos e sereias – enquanto a partitura de Weber, “full of panache and confidence”, permite que os cantores brilhem. O maestro, que tocou a obra como fagoteiro em uma orquestra universitária, descreve a experiência como “a dream come true” e ressalta que “the music is such fun to conduct”.
Com informações de The Guardian.
Fonte: The Guardian