Moraes usa relatório da PF para atacar indicação de Messias ao STF
Ministro recorre a documento apócrifo para dificultar a nomeação do advogado‑geral da União

O ministro Alexandre de Moraes recorreu a um relatório da Polícia Federal, sem autoria oficial, para abrir um inquérito contra o ministro André Mendonça e, ao mesmo tempo, recomendar o monitoramento de Jorge Messias, candidato do presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal. O documento, divulgado nesta semana, reacendeu a disputa política em torno da indicação de Messias.
Relatório da PF como arma política
O texto de cinco páginas, elaborado pela inteligência da Polícia Federal, aponta risco político na eventual nomeação de Messias ao STF e sugere "monitoramento e coleta dirigida" tanto de Messias quanto de Mendonça. O relatório não possui brasão da República nem assinatura, o que o caracteriza como apócrifo, segundo a reportagem do O Globo.
Objetivo de Moraes ao abrir investigação contra Mendonça
Moraes utilizou o documento para acusar Mendonça de direcionamento político e abuso de poder nas investigações dos esquemas do Banco Master e do INSS. Ao lançar a investigação, o ministro busca conter a aliança entre Mendonça e Messias, que teria fortalecido o grupo de ministros favoráveis ao governo.
Impacto na indicação de Jorge Messias
O relatório destaca que a escolha de Messias, advogados-geral da União, poderia ampliar a percepção de risco político, sobretudo por sua proximidade com Mendonça. O documento alerta ainda que a indicação poderia enfraquecer o bloco de ministros que, segundo o texto, atuou “firmemente em defesa da democracia”.
Reação de aliados e oposição
Segundo a cobertura do Estadão, Moraes se aliou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e a senadores como Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho para impedir a nomeação. A estratégia inclui pressionar senadores que tenham processos no Supremo ou ligações com aliados no Congresso.
Críticas ao uso de documentos sem lastro
A Folha de S.Paulo relata que a tentativa de abrir investigação contra Mendonça foi vista por parte do STF como tentativa de “contaminar” todo o tribunal. O uso de um relatório sem assinatura oficial viola a doutrina da PF, que proíbe a utilização de documentos de inteligência em inquéritos.
Perspectivas para o STF e o governo
Com as eleições se aproximando, a disputa sobre a indicação de Messias ao STF ganha contornos decisivos. Enquanto Moraes mantém a pressão para bloquear a nomeação, o presidente Lula continua defendendo a escolha, gerando um impasse que pode influenciar a composição do Judiciário nos próximos anos.
Com informações de O GLOBO, Estadão, Folha de S.Paulo.
Fonte: O GLOBO, Estadão, Folha de S.Paulo