Indiciamento de executivos do mercado financeiro em esquema de lavagem de.
Operação Quasar revela uso de fundos de investimento e fintechs para ocultar recursos ilícitos
A Polícia Federal encerrou a Operação Quasar, fase da investigação Carbono Oculto, e indiciou treze pessoas por crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. O caso ganhou destaque ao revelar como recursos de sonegação fiscal no setor de combustíveis foram inseridos no sistema financeiro nacional.
Como o dinheiro ilícito chegou ao sistema financeiro
Segundo o relatório final da PF, recursos provenientes de sonegação fiscal e de outros ilícitos praticados por empresas do grupo econômico formado pela Aster Petróleo Ltda. e pela Copape Produtos de Petróleo Ltda. foram introduzidos no Sistema Financeiro Nacional por meio de uma instituição de pagamento que operava contas bolsão sem identificação dos titulares. A partir dessas contas, o dinheiro foi integrado a uma estrutura de fundos de investimento encadeados em cascata, administrados por três distribuidoras de títulos e valores mobiliários.
Quem são os investigados
Os indiciados incluem executivos de fundos de investimento, corretoras e fintechs. Entre os nomes citados estão João Carlos Falbo Mansur, Marcelo Dias de Moraes, Rogério Garcia Peres, Artur Martins de Figueiredo, Danilo Augusto Tonin, Elena Ramon Pessoa Dantas, Silvano Gersztel, Luiz Felipe Sousa Leão Volani, Paula Rios Borges, João Eduardo Gomes Santiago, Luis Fernando de Almeida e Camila Cristina de Moura Silva. Todos foram apontados como responsáveis por gestão fraudulenta e por facilitar a movimentação de recursos ilícitos.
Estrutura utilizada para ocultar a origem dos recursos
A investigação descreve múltiplas camadas societárias e financeiras, com fundos que detinham participações em outros fundos ou empresas. Essa teia dificultava a identificação dos verdadeiros beneficiários e servia para blindar o patrimônio dos envolvidos. Mensagens, contratos, planilhas, perícia contábil e extratos bancários obtidos com autorização judicial foram citados como provas.
Medidas judiciais e bloqueios
Na mesma data da operação, a Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 1,2 bilhão. As autoridades cumpriram doze mandados de busca e apreensão em São Paulo e no interior do estado. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público Federal, que decidirá nos próximos dias se apresenta denúncia, solicita novas investigações ou arquiva o caso.
Repercussão e posicionamento da defesa
A defesa de João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag, não se manifestou. O relatório da PF afirma que não há prova de vínculo direto entre os investigados e a facção criminosa mencionada nos meios de comunicação, limitando a acusação a crimes financeiros. O caso ainda está em análise e pode gerar multas de até 50% do valor distribuído caso as empresas descumpram as regras estabelecidas.
Com informações de G1, InfoMoney.
Fonte: G1, InfoMoney
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