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Frutose pode acelerar a disseminação do câncer de ovário

Pesquisa indica que a frutose liberada por células que sobrevivem à quimioterapia pode tornar tumores ovarianos mais propensos a se espalhar.

Daniele Morais
4 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
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Frutose pode acelerar a disseminação do câncer de ovário
Imagem: "NASA's DC-8 airborne science laboratory is shadowed by a NASA F/A-18 chase plane during a flyover of the Dryden Aircraft Operations Facility in Palmdale, Calif. Original from

Em 4 de agosto de 2026, cientistas do The Wistar Institute publicaram resultados que ligam a frutose – um açúcar presente em muitas bebidas doces – ao aumento da capacidade de espalhamento de células de câncer de ovário que permanecem após a quimioterapia.

Frutose como sinal químico

Os autores descobriram que as células sobreviventes à quimioterapia, embora não estejam mais se dividindo, continuam ativas biologicamente e liberam moléculas que comunicam as células vizinhas. "Some cancer cells that survive chemotherapy aren't dividing anymore, but they're still biologically active," explicou Aidan Cole, Ph.D., primeiro autor do estudo.

Células sobreviventes liberam frutose

Ao separar as células que sobreviveram ao tratamento dos compostos que elas secretam, a equipe constatou que a exposição de outras células de câncer a esses compostos aumentou significativamente sua habilidade de se espalhar. A análise identificou a frutose como o componente responsável por esse efeito.

Frutose reduz produção de colesterol

Usando técnicas de larga escala, inclusive uma triagem CRISPR, os pesquisadores observaram que a frutose diminui a produção interna de colesterol nas células vizinhas. O colesterol funciona como uma espécie de “cola” que mantém as células tumorais unidas; sua redução enfraquece essas ligações, facilitando a migração das células cancerosas.

Estatinas podem influenciar o processo

O estudo também mostrou que estatinas – medicamentos que bloqueiam a produção de colesterol e são usados por cerca de 39 milhões de pessoas nos Estados Unidos – enfraquecem as conexões entre as células tumorais, tornando-as mais propensas a escapar. "We haven't tested this effect in patients yet, but it raises questions about combining cholesterol-lowering drugs with chemotherapy, especially since ovarian cancer is most common in postmenopausal women who are often already on statins," comentou Katherine Aird, Ph.D., co-autora sênior.

Impacto da dieta

Os autores observaram que ingestões elevadas de frutose, comparáveis às encontradas em bebidas açucaradas, podem estimular a disseminação do câncer mesmo na ausência de quimioterapia. Nos Estados Unidos, a xarope de milho rico em frutose pode representar de ~8 % a ~20 % da ingestão calórica diária, sugerindo que hábitos alimentares influenciam a progressão tumoral.

Próximos passos

Embora ainda não haja testes clínicos que verifiquem se a redução do consumo de frutose melhora o prognóstico, os resultados apontam para uma nova camada de interação entre nutrição e câncer. Os pesquisadores planejam investigar se o mesmo caminho envolvendo frutose e colesterol está presente em outros tumores que se espalham dentro da cavidade torácica, como os de pâncreas, cólon e fígado.

Com informações de ScienceDaily.

Fonte: ScienceDaily

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