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De advogado da morte à comédia: a jornada de Josh Pickar

Depois de anos defendendo presos na cadeia, ele usa o humor para romper o distanciamento da pena de morte.

Daniele Morais
5 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
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De advogado da morte à comédia: a jornada de Josh Pickar
Imagem: "Books Library" by Patrik Goethe is marked with CC0 1.0. To view the terms, visit https://creativecommons.org/publicdomain/zero/1.0/.

Em 4 de agosto de 2026, Josh Pickar, que passou sete anos como advogado de presos em corredores da morte no Alabama e na esfera federal, conta como o humor passou a ser sua ferramenta para manter o debate sobre a pena capital ativo. A transição da prática jurídica para o stand-up revelou, para ele, um caminho inesperado de engajamento e empatia.

O caso do vídeo enganoso e a percepção da injustiça

Nos primeiros trabalhos pro bono, Pickar revisou uma prova crucial: um vídeo de vigilância de 30 segundos que, ao analisá-lo quadro a quadro, percebeu que não era um filme contínuo, mas sim uma sequência de fotos apresentadas como filmagem. As lacunas preenchidas inconscientemente pelos jurados revelaram uma prática governamental extremamente enganosa, despertando nele um forte senso de injustiça e mantendo-o preso ao caso.

Humor como ponte com os condenados

Durante visitas a presos, o advogado encontrou situações de humor inesperado. Em um encontro, um cliente negro de meia-trinta, vestido com macacão khaki, riu ao comparar a vida no corredor da morte com a de um ditador líbio assassinado. Outro preso, após receber um folheto de yoga de um agente, escreveu “NOT WORKING! :P” em letras garrafais, mostrando que, mesmo em desespero, o humor ainda surgia. Esses momentos mostraram a Pickar que conhecer as pessoas por trás das sentenças dificultava a abstração que o sistema penal costuma impor.

Arte e criatividade dentro da prisão

Um dos antigos clientes, mantido em confinamento solitário por décadas, desenvolveu uma produção artística singular. Ele cria figuras abstratas e distorcidas, chamadas de “Sassy Boys”, adornadas com chapéus minúsculos, bengalas e brincos, sempre atrasadas e despreocupadas. Ao observar essa criatividade, Pickar sentiu que a humanidade dos presos se tornava ainda mais impossível de ignorar.

Da advocacia ao stand-up: a busca por imediatismo

Ao iniciar sua carreira de humorista e improvisador em Nova Iorque, Pickar encontrou na comédia a rapidez que contrastava com a morosidade dos tribunais. Enquanto um juiz pode levar meses para decidir um recurso, um público pode rejeitar uma piada em um único suspiro. Essa instantaneidade lhe oferecia um espaço onde o risco era menor, mas a conexão com a plateia mais direta.

Como a comédia mantém o debate sobre a pena de morte

Inspirado por “Just Mercy”, de Bryan Stevenson, Pickar começou a inserir piadas sobre a pena de morte em seus shows, não para suavizar o tema, mas para impedir que o desconforto fizesse o público fechar os ouvidos. Ele relata que, mesmo em salas barulhentas, as pessoas permanecem atentas; após as apresentações, chegam-se perguntas sobre casos e sobre o próprio sistema penal, mostrando que o riso não banaliza, mas sustenta o interesse.

Novos projetos: musical e estreia no Edinburgh Festival

Recentemente, o cliente que cria os “Sassy Boys” telefonou sugerindo a produção de um musical, apenas por diversão. Essa proposta culminou na estreia do espetáculo “Getting Off” de Josh Pickar, programado para acontecer no Edinburgh Festival Fringe, no Assembly Roxy (Snug), entre 5 e 30 de agosto. A iniciativa demonstra como a arte, o humor e a experiência jurídica podem convergir para novas formas de expressão.

Com informações de The Guardian.

Fonte: The Guardian

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