Administração Trump redefine proteção de espécies nos EUA
Memorando interno do Fish and Wildlife Service altera regras de proteção ambiental
Um memorando interno do Fish and Wildlife Service (FWS), distribuído em 14 de setembro, provocou intenso debate ao redefinir o que significa “take” na Lei de Espécies Ameaçadas (ESA) dos Estados Unidos. A mudança restringe a proibição a atos intencionais, gerando preocupação entre organizações ambientais.
Reinterpretação da definição de “take”
O documento orienta que “take” – antes definido como qualquer ato que cause dano ou morte a uma espécie em perigo – passa a abranger apenas ações deliberadas e intencionais. Segundo o memorando, um navio que colida inadvertidamente com uma baleia não teria cometido “take”, pois não houve intenção de atingir o animal.
Exclusão de atividades econômicas de responsabilidade
A nova leitura exclui, por exemplo, o corte de árvores que abrigam morcegos ou a exploração mineral que prejudica habitats, a menos que a ação tenha sido especificamente planejada para matar ou capturar a espécie. Essa interpretação afasta atividades como mineração, extração de madeira e desenvolvimento industrial da responsabilização prevista na ESA.
Reação de organizações ambientais
O Center for Biological Diversity e a Earthjustice classificaram a medida como “prescrição para extinção”, apontando que a decisão contraria o entendimento da Suprema Corte no caso Babbitt v. Sweet Home (1995). O diretor de assuntos governamentais do Center, Brett Hartl, afirmou que a administração busca “um cartão de saída livre” para quem causa danos a espécies ameaçadas.
Contexto de retrocessos regulatórios
A redefinição ocorre após a revogação, em julho, da definição de “harm” que incluía a morte ou lesão de fauna e flora, bem como modificações significativas de habitat. O secretário do Interior, Doug Burgum, justificou a mudança alegando que a definição anterior “obstruía o uso legítimo da terra e sobrecarregava famílias e empresas americanas”.
Possíveis desdobramentos judiciais
Vinte estados e o Distrito de Columbia já moveram ação judicial contra a administração, contestando a remoção da proteção de habitat da definição de “take”. O Departamento do Interior, responsável pelo FWS, afirmou que a nova regra “restaura” a interpretação original do Congresso, mantendo as proteções centrais da ESA.
Com informações de The Guardian, The Hill.
Fonte: The Guardian, The Hill