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Vendaval no Rio de Janeiro acelera investimentos das distribuidoras

Após o vendaval de 4 de agosto, as empresas de energia intensificam projetos de modernização e digitalização da rede.

Daniele Morais
4 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
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Vendaval no Rio de Janeiro acelera investimentos das distribuidoras
Imagem: "sunset, brasilia april 2006" by seier+seier is licensed under CC BY 2.0. To view a copy of this license, visit https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/.

Em 4 de agosto de 2026, um vendaval histórico atingiu o Rio de Janeiro, provocando apagões que duraram mais de 30 horas em algumas áreas. O evento evidenciou a vulnerabilidade das redes elétricas diante de fenômenos climáticos cada vez mais intensos.

Intensificação da frequência de eventos extremos

Enchentes, temporais e ventos fortes têm derrubado postes, árvores e fios, gerando não apenas falta de energia, mas também risco de curto-circuito e incêndios na rede. O diretor de Regulação da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Ricardo Brandão, reconhece que o clima está se deteriorando e que o cenário se torna mais desafiador a cada ano.

Investimentos em resiliência das distribuidoras

A Abradee informou que o montante anual destinado a investimentos subiu de R$ 18 bilhões em 2021 para R$ 41 bilhões em 2025. Mais de 40 % desse valor é direcionado à modernização das redes, com foco principal na digitalização. Esse recurso permite que as empresas adotem medidas que reduzem a necessidade de desligar áreas inteiras quando ocorre uma queda de árvore ou outro incidente.

Modernização e digitalização da rede elétrica

A modernização abrange automação, monitoramento em tempo real, implantação de redes inteligentes, inspeções preventivas, manutenção baseada em risco, reforço estrutural de equipamentos e, quando viável, o enterramento de cabos. A digitalização oferece à distribuidora a capacidade de isolar rapidamente um ponto de falha, evitando apagões generalizados.

Comunicação direta com o consumidor

Um avanço relevante é a comunicação proativa das distribuidoras. Quando o Centro de Operações detecta a falta de energia, mensagens são enviadas diretamente ao consumidor, indicando a situação e, preferencialmente, uma estimativa de restabelecimento. Essa prática reduz a necessidade de contato do usuário com o call center da empresa.

Desafios de custos e responsabilidade

Pesquisadores apontam que a instalação de fiação subterrânea pode reduzir vulnerabilidades, mas o custo é cerca de dez vezes maior que o da rede aérea. Brandão argumenta que esse tipo de investimento deveria ser realizado pelo poder público, pois o impacto na tarifa seria muito elevado se fosse suportado pelas distribuidoras. O professor Edson Watanabe, da Coppe/UFRJ, defende que as concessionárias também devem assumir parte desses custos, sugerindo maior atividade por parte delas para evitar pioras futuras.

Planejamento e cooperação entre concessionárias

Os planos de contingência das distribuidoras são regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e exigem preparação antecipada. Com a expectativa de um Super El Niño no semestre, as empresas estão treinando equipes, adquirindo equipamentos e veículos para enfrentar possíveis eventos. Estratégias de compartilhamento de equipes, já testadas durante as inundações no Rio Grande do Sul em 2024, são previstas para situações de crise, embora a disponibilidade de recursos possa ser limitada quando o vendaval afeta várias distribuidoras simultaneamente.

Com informações de Agência Brasil.

Fonte: Agência Brasil

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