Tim Cook deixa o comando da Apple: o legado e os desafios do novo CEO
A saída de Tim Cook marca o fim de uma era de crescimento notável e define os rumos da gigante tecnológica sob a liderança de John Ternus.

O cenário tecnológico global registra uma mudança significativa na Apple com a saída de Tim Cook do cargo de CEO. Após mais de uma década liderando a gigante, Cook será sucedido por John Ternus, chefe de engenharia de hardware, a partir de 1º de setembro. A transição marca o fim de uma era de crescimento expressivo e desafios geopolíticos sob sua gestão.
A era de Tim Cook na Apple
Tim Cook assumiu como CEO em agosto de 2011, pouco antes do falecimento de seu antecessor, Steve Jobs, que era considerado um dos maiores inovadores do mundo. Sob a liderança de Cook, a Apple alcançou patamares notáveis, com o valor das ações disparando mais de 2.000%. A empresa também atingiu brevemente uma capitalização de mercado de US$ 5 trilhões em julho, tornando-se a segunda empresa a alcançar essa marca. David Yoffie, professor da Harvard Business School, observou que Cook conseguiu escalar o iPhone a um nível que muitos não teriam considerado provável ou possível.
Expansão de produtos e serviços
Cook foi fundamental para levar a Apple além de seus produtos iniciais, como o Mac, iPod e iPhone. Ele é creditado por tornar o iPhone essencial para atividades diárias, desde comprar um café até pagar contas, graças aos serviços web e acessórios que ele impulsionou na última década. Sob sua gestão, a empresa se tornou um player relevante em áreas como entretenimento, saúde e wearables. Ron Johnson, que supervisionou as operações de varejo da Apple, descreveu Cook como “inteligente” e “estratégico”, alguém que “sempre ouvia primeiro e falava quando tinha algo a acrescentar”. Sua experiência em operações e gestão da cadeia de suprimentos foi crucial para o sucesso.
Navegando em águas geopolíticas
A habilidade de Cook em lidar com relações políticas foi vital para as operações da Apple e seu “império” de iPhones, especialmente nos Estados Unidos e na China, nações cujas relações foram tensas. Jeffrey Sonnenfeld, da Yale School of Management, destacou que Cook era um dos poucos líderes que ligavam pessoalmente para o então presidente Trump. A Apple prometeu investir US$ 600 bilhões para expandir suas operações nos EUA, incluindo a produção de peças críticas do iPhone em território americano, uma decisão que a ajudou a evitar tarifas elevadas. Cook também buscou diversificar parte da produção para fora da China, ao mesmo tempo em que mantinha o apelo aos consumidores e à liderança chinesa, algo que Gene Munster, da Deepwater Asset Management, considerou uma façanha rara.
Os desafios para o novo CEO
John Ternus, o sucessor de Cook, herda uma série de obstáculos. A dependência da Apple da China foi evidenciada pela pandemia de Covid e pelas tarifas do governo Trump. Além disso, a empresa enfrenta uma relação tensa com reguladores na Europa, seu segundo maior mercado, que resultou em mudanças na forma como a App Store opera na região e impediu o lançamento da versão reformulada da Siri por lá. Há também a pressão crescente para que a Apple se destaque em inteligência artificial (IA), especialmente após o Vision Pro não atender às expectativas. A escassez de chips de memória, impulsionada pela corrida da IA, tem forçado a Apple e outras empresas a elevar os preços dos produtos.
O conselho de Cook para o futuro
Em uma de suas últimas teleconferências de resultados como CEO, Tim Cook ofereceu um conselho a Ternus: focar na criação de produtos que “enriqueçam” a vida dos clientes. Ele afirmou em abril: “Se você continuar focando nisso e tomar suas decisões em torno disso, isso produzirá um grande negócio. E seremos capazes de construir mais produtos e fazer tudo de novo.” Este conselho aponta para a continuidade de uma filosofia central na Apple.
Com informações de CNN.
Fonte: CNN