Surto de ebola na República Democrática do Congo gera alerta global
Conflitos armados e falta de vacinas dificultam o controle da epidemia
O leste da República Democrática do Congo vive um novo surto de ebola, que já contabiliza mais de 2.500 óbitos em três meses. A doença se espalha em meio a conflitos armados entre o Exército e milícias rebeldes, dificultando a assistência médica e a contenção do vírus.
Surto de ebola na RDC
Segundo a Organização das Nações Unidas, trata-se da 17ª epidemia de ebola no país, com estimativa de uma morte a cada 30 minutos. Até o momento, foram registrados 4.945 casos e 2.325 óbitos desde 15 de maio, quando o governo declarou emergência.
Conflitos como principal obstáculo
Conflitos armados entre o grupo Movimento 23 de Março (M23) e outras milícias, supostamente financiadas por Ruanda, impedem a mobilidade e o acesso a áreas afetadas. O fechamento do aeroporto de Goma, principal via de ajuda humanitária, em janeiro de 2025, agravou ainda mais a situação.
Vírus Bundibugyo sem vacina específica
O agente responsável é o vírus Bundibugyo, para o qual não há vacina ou tratamento específico. A Organização Mundial da Saúde recomenda a vacina Ervebo, desenvolvida contra outro tipo de ebola, mas sua aplicação ainda não foi testada na população local.
Avanços científicos e desafios terapêuticos
Pesquisadores internacionais estudam a persistência do vírus no cérebro usando organoides cerebrais humanos. O estudo mostrou replicação do ebola por até 120 dias, com produção de partículas infecciosas e inflamação prolongada. Entre os candidatos a tratamento, destacam-se os anticorpos monoclonais MBP134 e maftivimab, além do antiviral remdesivir, embora ainda não haja comprovação de eficácia em pacientes.
Reação da comunidade internacional
Em discurso no Angelus, o Papa Leão XIV pediu uma resposta internacional que envolva as comunidades locais. "Em minhas orações, lembro-me frequentemente da República Democrática do Congo, especialmente à luz da propagação da epidemia de ebola, que está tristemente ceifando muitas vidas", afirmou.
Perspectivas para o controle da epidemia
A OMS estima que a contaminação possa ser controlada em três meses, mas alerta que isso não significa o fim da crise sanitária. A presença de milícias, o deslocamento de 7 milhões de pessoas internas e 1 milhão no exterior, além da falta de centros avançados de pesquisa, continuam a dificultar a vigilância e o tratamento.
Com informações de Folha de S.Paulo, Gazeta do Povo, Correio Braziliense.
Fonte: Folha de S.Paulo, Gazeta do Povo, Correio Braziliense