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Sobrevivente de terremoto na Venezuela reconstrói vida após perdas

Após perder o marido e a mão direita em desastre, Nayarit Colmenares busca recomeço com prótese biônica.

Daniele Morais
21 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
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Em 19 de agosto de 2026, a história da arquiteta e designer venezuelana Nayarit Colmenares, de 39 anos, revela os impactos profundos dos terremotos que atingiram o norte da Venezuela. Após passar dois dias soterrada sob os escombros de seu edifício, ela sobreviveu à tragédia que custou a vida de seu marido e resultou na perda de sua mão direita. O desastre geral na região deixou um rastro de mais de 6.000 mortos.

O soterramento e a despedida sob os escombros

No dia do desastre, uma quarta-feira, 24 de junho, dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a região norte do país às 18h05. Nayarit e seu marido, Henry, também de 39 anos, estavam no quarto andar do edifício Palmar Este 1, em Caraballeda, uma das áreas mais devastadas em La Guaira. O casal, que estava junto há 14 anos e compartilhava um negócio virtual de discos de vinil, foi surpreendido pelo colapso da estrutura.

Presa na escuridão sob o peso dos escombros, Nayarit percebeu que o tempo passava quando o alarme de seu celular tocou às 19h. Na tentativa de tatear o ambiente ao seu redor, ela acabou encontrando o corpo imóvel de Henry. Ao sentir o sangue e as fraturas, compreendeu que o marido estava morto e se despediu dele. Sem conseguir dormir e sentindo um forte calor no lado direito de seu corpo, ela permaneceu imóvel para poupar energias.

O resgate pelos bombeiros salvadorenhos

Para tentar chamar a atenção do mundo exterior, Nayarit utilizou um pedaço de cerâmica solto para golpear repetidamente um tubo de ferro de banheiro que havia ficado fixo. O barulho metálico acabou sendo ouvido por uma equipe de resgate enviada por El Salvador, sob determinação do governo do presidente Nayib Bukele.

O processo de retirada durou sete horas e exigeu um esforço delicado, pois os socorristas precisaram abrir um buraco para alcançar a sobrevivente, que estava presa no banheiro de um apartamento vizinho. O maior desafio físico foi liberar o braço direito de Nayarit, que havia ficado sob o corpo do marido. Ao ser resgatada e colocada em uma maca, ela pôde finalmente rever o céu e respirar ar puro, sendo encaminhada primeiro a um hospital em La Guaira e depois a uma clínica em Caracas, com despesas médicas custeadas pelo governo de El Salvador.

A decisão difícil pela amputação

Embora os médicos inicialmente estivessem mais preocupados com o pé de Nayarit, o tecido de sua mão direita dominante começou a se deteriorar severamente, adquirindo uma coloração cinza. Diante do risco de uma infecção generalizada que poderia atingir a corrente sanguínea, os especialistas recomendaram a amputação do membro.

Para uma profissional que dependia diretamente de suas habilidades manuais para desenhar, pintar, tecer crochê e produzir bombons, a perda representava um impacto profundo em sua identidade. No entanto, ao refletir sobre o que o marido a aconselharia a fazer, ela optou por preservar sua vida. Confortada por sua família, que se voluntariou a ser sua nova "mão direita", ela aceitou o procedimento cirúrgico.

A adaptação e o sonho da prótese biônica

Atualmente, Nayarit lida com a síndrome do membro fantasma, experimentando sensações como formigamento, calor e espasmos na região amputada. Para documentar sua rotina, ela relata suas experiências ao ChatGPT para criar um diário por voz, enquanto treina a mão esquerda para desenhar, pintar e assinar seu nome. Durante a cirurgia, os médicos reorganizaram seus músculos e nervos para facilitar o uso futuro de uma prótese.

Com o apoio de sua irmã, que mora na França, foi aberta uma campanha de arrecadação no GoFundMe com a meta de 100.000 euros (cerca de 116.000 dólares). O objetivo é adquirir uma prótese mioelétrica biônica avançada que capte os impulsos musculares, permitindo que ela recupere a precisão de seus movimentos. Quase dois meses após os tremores, o governo venezuelano ainda não divulgou dados sobre o total de pessoas amputadas na tragédia.

Com informações de BBC Mundo.

Fonte: BBC Mundo

#Terremoto na Venezuela#Nayarit Colmenares#História de superação#Prótese biônica#Resgate internacional
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