Queda de empresas e empregos na Argentina sob Milei
Dados da Fundar e do Indec mostram retração empresarial e aumento do desemprego nos primeiros 31 meses de governo
O fechamento de milhares de empresas e a perda de centenas de milhares de postos formais colocam a economia argentina em destaque internacional. O volume de buscas reflete a preocupação com os impactos desse processo nos mercados da região, inclusive no Brasil.
Fechamento de empresas no período novembro 2023 a junho 2026
Segundo o Monitor Mensal de Empresas da Fundar, 31.342 companhias deixaram de operar entre novembro de 2023, mês anterior à posse de Javier Milei, e junho de 2026. Essa queda corresponde a 6,1 % do total de empresas formais com empregados, a maior redução registrada nos primeiros 31 meses de uma gestão presidencial na série analisada.
Setores mais afetados
Quatorze dos dezoito setores avaliados apresentaram diminuição no número de empresas. Os maiores recuos foram observados em transporte e armazenamento (-17,51 %), construção (-9,5 %) e indústria manufatureira (-13,81 %). A indústria de equipamentos eletrônicos e médicos registrou queda acumulada de 19,1 % em 12 meses, segundo dados do Indec.
Desemprego e substituição por trabalho informal
O fechamento de empresas resultou na perda de 245,6 mil empregos formais, queda de 3,9 % do total, conforme levantamento da Cepa. O aumento de trabalhadores autônomos – 169 mil no mesmo período, crescimento de 8,3 % – indica que parte dos postos desaparecidos foi substituída por atividades desprotegidas.
Impacto regional e exceções
A retração atingiu 23 das 24 províncias argentinas. A única exceção foi Neuquén, onde a exploração de gás natural em Vaca Muerta impulsionou um crescimento de 1,4 % no número de empresas. La Rioja, Catamarca e Tierra del Fuego registraram as maiores quedas provinciais, acima de 13 %.
Contexto macroeconômico
Enquanto o número de empresas e empregos formais diminui, a inflação anual recuou de 289 % em abril 2024 para 33,5 % em agosto 2024. O professor Paulo Gala, da FGV-SP, atribui a estabilidade inflacionária ao corte de gastos públicos, empréstimos bilionários ao FMI e à valorização do peso, mas alerta que a moeda sobrevalorizada “detona o setor industrial”. A dívida externa, estimada em US$ 350 bilhões, também evidencia a fragilidade da situação econômica do principal parceiro comercial do Brasil na América Latina.
Reação do governo Milei
Em discurso ao final de agosto, Milei destacou indicadores positivos de exportação, consumo privado, inflação e PIB, que cresceu 4,4 % em 2025 após retração de 1,3 % em 2024. O presidente contestou a ideia de que o desemprego estaria “disparando”, afirmando que “se todas as empresas estivessem fechando e nenhuma abrindo, o desemprego teria que estar disparando”.
Com informações de Folha PE, Jornal GGN.
Fonte: Folha PE, Jornal GGN
Entenda o tema
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