Polícia britânica tenta redirecionar adolescentes hackers
Programa Cyber Choices oferece orientação e treinamento para evitar que talentos digitais entrem no crime

Em 30 de julho de 2026, a polícia britânica intensificou a atuação do programa nacional Cyber Choices para afastar adolescentes de práticas ilícitas no ambiente digital. O caso de Lucas, um jovem de Cumbria que começou a desmontar computadores para testar componentes, ilustra a estratégia de intervenção precoce.
O encontro que mudou a trajetória de Lucas
Após ser quase expulso da escola, a mãe de Lucas ligou para a polícia. Um oficial, o sargento Sam Cooper, compareceu à residência rural e, segundo Lucas, sua mãe disse: "ooh, you've got a detective coming to speak to you, you're in a lot of trouble". O jovem esperou na janela, temendo as consequências, mas Cooper começou a explicar as reais repercussões dos ataques cibernéticos.
Como funciona o programa Cyber Choices
Cooper, que já trabalhou com dezenas de crianças, realiza encontros individuais, geralmente nas casas dos adolescentes. Ele afirma: "I'll try and find where their interests are and try and divert them towards professional training, qualifications". O programa inclui visitas a universidades, como a futura visita de Lucas a um curso de segurança cibernética, para inspirar a escolha de carreiras legais.
Aumento da participação de jovens em ataques graves
Autoridades alertam que grupos de hackers adolescentes têm papel crescente em ataques a organizações como Transport for London (2024) e Marks & Spencer (2025). Paul Foster, responsável pela prevenção cibernética na National Crime Agency (NCA), afirma: "It certainly has become more of a problem". O NCA registrou mais de 1,150 casos encaminhados ao Cyber Choices nos últimos oito anos, com quase 600 nos últimos três.
Perfis neurodiversos e abordagem policial
Cooper observa que muitos dos jovens atendidos são autistas ou neurodiversos, mesmo quando não rotulados formalmente. Ele comenta: "Even if they're not labelled as such... they obviously have more affinity with computers than they do with practical and social reality". Segundo ele, esses adolescentes podem fixar objetivos e ignorar orientações adultas, exigindo um diálogo direto.
Resultados, críticas e dúvidas sobre a eficácia
Casos como o de Arion Kurtaj (2023) e dois adolescentes presos recentemente por um ataque ao TfL demonstram que a justiça tem considerado a condição neurodiversa ao sentenciar. Entretanto, críticos temem que ensinar habilidades avançadas a quem já demonstra interesse em hacking possa torná-los ofensores mais capazes. Em um processo em andamento, surgiu a acusação de que um participante do programa cometeu novos delitos, levando Cooper a declarar: "My fear is that if we didn't give them something like Cyber Choices, where would they get that input and where would that input take them?". Para Lucas, a visita policial foi decisiva: ele reconhece que, sem a intervenção, teria continuado a testar limites do computador.
Com informações de BBC News.
Fonte: BBC News