Operação Lívia 2 prende adolescentes por escravidão digital
Seis adolescentes são detidos na segunda fase da Operação Lívia, que investiga grupos que induzem automutilação e suicídio online

Na terça-feira (15) a Polícia Civil de Mato Grande do Sul, com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, cumpriu mandados de busca e apreensão que resultaram na prisão de seis adolescentes. Eles são acusados de integrar um grupo que, por meio de uma live no Discord, induziu uma menina de 13 anos à automutilação e ao suicídio.
O que motivou a ação policial
A investigação começou após a morte da adolescente, que teria sido coagida a cumprir desafios de automutilação e crueldade contra animais. O caso desencadeou a primeira fase da Operação Lívia, que prendeu cinco adolescentes e um jovem de 18 anos. A segunda fase, iniciada em 15 de setembro, buscou novos responsáveis, especialmente administradores e moderadores das comunidades virtuais.
Como a polícia identificou os suspeitos
O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública analisou os materiais digitais apreendidos na etapa anterior – celulares, mídias e outros dispositivos – e localizou novos envolvidos. As buscas foram realizadas nos estados da Bahia, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grande do Sul.
O que caracteriza a "escravidão digital"
Investigadores descrevem a prática como uma dinâmica de coerção, chantagem e controle exercida no ambiente virtual. Vítimas são ameaçadas e pressionadas a obedecer determinações dos integrantes do grupo, que podem incluir desafios de automutilação ou outras formas de violência. A expressão “escravidão digital” passou a ser usada para designar esse tipo de exploração online de crianças e adolescentes.
Repercussões institucionais
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) suspendeu as transmissões ao vivo da plataforma Discord enquanto as investigações prosseguem. Em nota, o Ministério da Justiça ressaltou a necessidade de pais e responsáveis monitorarem a atividade digital dos menores, especialmente a participação em grupos fechados e mudanças de comportamento que indiquem risco.
Próximos passos da Operação Lívia
A segunda fase tem como objetivo aprofundar a investigação sobre a estrutura dos grupos, desmantelar suas redes e encaminhar eventuais vítimas à rede de proteção. A delegada Anne Karine, da Polícia Civil de Mato Grande do Sul, destacou que a atuação integrada das forças de segurança é fundamental para enfrentar essas organizações que se valem do ambiente digital para explorar a vulnerabilidade de menores.
Com informações de O GLOBO, Estadão.
Fonte: O GLOBO, Estadão