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Operação Lívia desmantela rede que induzia suicídio de adolescente

Polícia civil de MS e Ciberlab prendem adolescentes e apontam falhas do Discord e Telegram

Daniele Morais
4 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
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Operação Lívia desmantela rede que induzia suicídio de adolescente
Imagem: "São Paulo Skyline Marginal Pinheiros" by Sirskolk is licensed under CC BY 3.0. To view a copy of this license, visit https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/.

Em 4 de agosto de 2026, o Ministério da Justiça e Segurança Pública apresentou os resultados da Operação Lívia, ação conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul com apoio técnico do Ciberlab da Senasp/MJSP. A operação investigou uma organização criminosa que atraía crianças e adolescentes para ambientes virtuais, submetendo-os a coerção psicológica e incentivando violência extrema contra animais, desafios de automutilação e indução ao suicídio.

Operação lívia e seu desdobramento

A apuração teve início após o suicídio ao vivo de uma adolescente de 13 anos, ocorrida em 22 de julho. A transmissão aconteceu em um grupo da rede social Discord e durou cerca de 45 minutos. A operação cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul e em mais quatro estados – Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro – com a colaboração das respectivas polícias civis.

Caso da adolescente lívia

Antes de tirar a própria vida na residência familiar em Naviraí, a jovem foi coagida no ambiente virtual a torturar e matar um gato, ato que não se concretizou. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, reforçou a necessidade de prevenção e vigilância ativa por parte dos pais e da sociedade, afirmando: “Redobrem a atenção no cuidado com os seus filhos, com as crianças, com os adolescentes, no contato com esses conteúdos, em função dos graves eventos que foram reportados aqui.”

Prisões e perfis dos acusados

Entre os detidos, estão cinco adolescentes com idades entre 13 e 17 anos e um homem de 18 anos, todos usuários simultâneos do serviço de mensageria Telegram. O suposto líder do grupo é um adolescente de 14 anos, apreendido no Rio de Janeiro. Outro suspeito identificado é um estudante seminarista de um mosteiro de Pernambuco.

Uso indevido de pix e incentivos ao automutilismo

As investigações revelaram que os criminosos abriram uma chave Pix em nome da vítima sem o conhecimento da mãe, enviando recursos para a compra de lâminas Gillette destinadas à automutilação. O delegado Alessandro Barreto declarou: “Os próprios criminosos criaram chave Pix para menina, mandavam dinheiro para comprar gillette, para se automutilar e tudo.”

Falhas das plataformas digitais

Victor Fernandes, secretário nacional de Direitos Digitais, apontou descumprimento das normas estabelecidas pelo ECA Digital, pelo Marco Civil da Internet e pelo Decreto de Proteção de Mulheres no Ambiente Digital. Segundo ele, o Discord não interrompeu a transmissão ao vivo, não retirou o conteúdo imediatamente e não notificou as autoridades. Também destacou a ausência de verificação de idade exigida pelo ECA Digital, afirmando: “Todas essas cenas de automutilação, de induzimento, e, no final, nesse caso mais chocante, de suicídio de uma jovem de 13 anos, aconteceram em grupos em transmissões ao vivo no Discord, feitas totalmente por crianças e adolescentes. Todos conseguiam acessar a plataforma sem fazer nenhum tipo de verificação de idade para acessar esses ambientes em que essas transmissões aconteciam.”

Próximas investigações e medidas do ministério

Todo o material recolhido será analisado para identificar outros envolvidos e esclarecer as circunstâncias da atuação online da organização. O Ministério da Justiça enviará pedido de investigação contra Discord e Telegram à Agência Nacional de Proteção de Dados, responsável por aplicar o ECA Digital no Brasil. O delegado Barreto informou ainda que a polícia identificou outra vítima em outra unidade da federação e evitou que ela tirasse a própria vida em transmissão previamente agendada, acrescentando: “Estamos vendo os nomes de outras possíveis vítimas para mandar avisar aos pais e responsáveis para que fiquem atentos.”

Com informações de Agência Brasil.

Fonte: Agência Brasil

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