Moody's alerta riscos ao crédito de consumidores e empresas na Colômbia
Moody's aponta que alta inflação e juros podem frear a recuperação do crédito colombiano

Em 9 de agosto de 2026, Moody's Ratings avisou que o retorno de taxas de juros mais altas pode colocar em risco a recuperação do crédito na Colômbia, mesmo após um período de melhora nos balanços bancários.
Recuperação do crédito bancário na Colômbia
O relatório da agência destaca que o país vem saindo de um ciclo creditício negativo graças ao saneamento dos balanços das instituições e a critérios mais rigorosos na concessão de novos empréstimos. Contudo, a agência alerta que a alta inflação e o pioramento das contas fiscais podem pressionar novamente as taxas de juros, ameaçando retardar essa melhora.
Impacto da inflação e da taxa de juros
Moody's projeta uma inflação de 6 % para 2026, acima dos 5,1 % de 2025, e uma taxa de juros de 12,3 % em 2026, muito superior aos 9,3 % do ano anterior. Para 2027, a inflação deve cair para 5,1 % e a taxa de juros para 10,5 %. O crescimento econômico permaneceria em torno de 2,5 % tanto em 2026 quanto em 2027. O endurecimento das condições monetárias dificulta a sustentabilidade da recuperação observada desde 2025 e retarda a normalização das carteiras de crédito empresarial.
Concentração dos empréstimos empresariais
O relatório aponta que a concentração dos créditos empresariais nos maiores bancos está aumentando. Os 20 maiores tomadores de crédito representavam cerca de 15 % das carteiras ao final de 2025, contra 11 % registrado cinco anos antes. A média dos três maiores bancos, que concentram cerca de 51 % do crédito total do país, evidencia essa tendência.
Riscos para consumidores na América Latina
Moody's observa que a rápida expansão de empréstimos de consumo, sobretudo os sem garantia, elevou o endividamento além da capacidade de pagamento de alguns tomadores em vários países da região. Na Argentina, os empréstimos morosos de famílias chegaram a 12,1 % em abril, frente a 2,6 % ao final de 2024. No Brasil, o peso do serviço da dívida sobre a renda familiar atingiu 28,3 % em janeiro de 2026, acima dos 25,7 % de dois anos antes.
Desafios das pequenas e médias empresas
O setor de pequenas e médias empresas também enfrenta pressões. No Brasil, os créditos problemáticos das PMEs subiram de 4,1 % ao final de 2024 para 5,8 % em maio de 2026. Na Argentina, a morosidade empresarial aumentou de 0,7 % ao final de 2024 para 3,3 % em maio, embora a agência considere que taxas mais baixas possam estabilizar a situação nos próximos trimestres.
Em síntese, Moody's não indica uma crise bancária regional, mas sim um aumento dos riscos que as instituições terão de administrar após anos de expansão do crédito. Para a Colômbia, o principal risco reside em que a combinação de inflação elevada, juros altos e pressões fiscais possa prolongar a trajetória de recuperação que já começava a se firmar.
Com informações de El Tiempo.
Fonte: El Tiempo