Investigações sobre superlotação de ingressos no Maracanã
Ministério Público analisa planilhas e laudos que apontam irregularidades em jogos do Flamengo e Fluminense

O Ministério Público do Rio de Janeiro iniciou um inquérito para apurar suposta superlotação e venda de ingressos acima da capacidade do Maracanã em partidas do Flamengo e do Fluminense. A ação surge após o Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor constatar, em campo, que o volume de torcedores ultrapassava o limite permitido.
Irregularidades constatadas nas planilhas de ingresso
Planilhas obtidas pelos promotores mostraram que o Flamengo superlotou o setor norte e as cadeiras cativas em pelo menos seis de 12 jogos analisados, enquanto o Fluminense disponibilizou mais ingressos que o permitido em cinco partidas. Os documentos incluem laudos dos Bombeiros e da Polícia Militar, que estabelecem a capacidade atual do estádio em pouco mais de 73 mil pagantes.
Resposta dos clubes e do consórcio
O Fluminense negou a acusação em nota oficial, afirmando que não comercializa ingressos acima da carga em nenhum setor. O Flamengo não se manifestou oficialmente. A empresa que administra o Maracanã, Fla-Flu Serviços S.A., respondeu por meio de seu CEO, Fred Nantes, classificando a investigação como “uma coisa muito mais midiática do que qualquer outra coisa” e garantindo colaboração com o Ministério Público.
Procedimentos exigidos pelo Ministério Público
O ofício do MPRJ solicita detalhamento de todas as categorias de ingresso – vendas, cortesias e gratuidades – discriminadas por setor, bem como o número efetivo de torcedores presentes. O objetivo é entender as discrepâncias entre ingressos emitidos e a capacidade real de cada área do estádio.
Possíveis sanções previstas na Lei Geral do Esporte
Conforme o artigo 147 da Lei Geral do Esporte, equipes que venderem bilhetes acima da capacidade podem ser proibidas de atuar em estádios da sua cidade por até seis meses. O Ministério Público ainda avalia a proposta de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para evitar a judicialização do caso e prejuízos à temporada.
Próximos passos da investigação
Os clubes, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro e a Fla-Flu Serviços têm até a próxima semana para responder ao ofício. O MP espera receber as informações solicitadas para decidir sobre a continuidade do inquérito, que foi aberto em 26 de setembro. A investigação ainda não tem data para conclusão, mas as partes envolvidas foram intimadas a fornecer cópias dos procedimentos dentro do prazo estabelecido.
Com informações de O GLOBO, UOL.
Fonte: O GLOBO, UOL