India quer integrar os principais produtores de morango
Produtores de Mahabaleshwar enfrentam riscos, mas buscam inovação

Em 30 de julho de 2026, a região de Mahabaleshwar, no oeste da Índia, destacou-se como o principal polo de cultivo de morangos do país. A altitude superior a 1.000 metros garante uma estação fria entre novembro e março, mas a produção permanece vulnerável a chuvas intensas.
Desafios da produção tradicional de morangos
Os produtores precisam substituir as plantas a cada safra, pois o morango não se reproduz por semente. Sheetal Danavle, que cultiva metade de sua fazenda de três acres, relata que uma chuva forte pode arruinar toda a colheita, gerando perdas massivas. O custo anual de aquisição de mudas jovens chega a US$ 2.500, e, embora o retorno possa dobrar o investimento em uma boa temporada, o clima transforma a atividade em um grande risco.
Importação de mudas e sistema de propagação
A maior parte das variedades cultivadas na região são importadas da Califórnia, Flórida, Itália e Espanha, já que ainda não existe uma cultivar desenvolvida localmente. Nelson Sequeira, fundador da Tara Farms Fresh, explica que a mudas-mãe certificada são trazidas do exterior, passam por quarentena governamental e são plantadas em viveiros. Cada planta-mãe gera, em média, 20 mudas-filhas, podendo chegar a 30 ou 40 em casos avançados. As mudas são cultivadas em tubos industriais divididos ao meio, preenchidos com substrato de coco-peat e irrigadas por sistemas de gotejamento e nebulização que controlam o microclima.
Pesquisa de cultivares nativas com radiação gama
O Mahatma Phule Krishi Vidyapeeth (MPKV), em parceria com o Bhabha Atomic Research Centre (BARC), desenvolve experimentos de melhoramento genético usando baixa dose de irradiação gama em tecidos vegetais. O objetivo, segundo o professor Darshan Shashank Kadam, é acelerar o surgimento da primeira cultivar indiana resistente ao clima, combinando tamanho e textura similares às variedades estrangeiras, mas adaptada às ondas de calor locais. O processo pode levar de 10 a 15 anos, mas já resultou em pacotes científicos padronizados de calendário de plantio, recomendações de fertilizantes e reguladores de crescimento para as condições de Mahabaleshwar.
Inovações em hidroponia e cultivo em estufas
Ketan Yashwant Sodha, da Berry Fresh Agrotech, abandonou o cultivo ao ar livre após perdas recorrentes nas estações de pico. Desde 2022, testa hidroponia em polyhouse semiaberta, controlando rigorosamente água, nutrientes, luz e temperatura. Limitar a irrigação a 75 ml por planta ao dia favorece a concentração de açúcares e aromas. A equipe realiza “exames de sangue” nas folhas para ajustar a nutrição. Já testaram 19 variedades, incluindo japonesas e uma específica da Holanda, e planejam ampliar a produção para cinco acres, acomodando 200 000 plantas.
Uso de tecnologia e IA para monitoramento
Krishan Bhilare, integrante de uma Organização de Produtores (FPO), instalou torres equipadas com inteligência artificial que analisam dados climáticos para prever chuvas. Essa informação permite adiar pulverizações e evitar que produtos químicos sejam lavados. Além disso, a FPO desenvolveu torres verticais com substrato de coco-peat em cinco camadas, aumentando a densidade de plantio de 25 000 para 125 000 plantas por acre. O experimento mostrou sucesso total, produzindo frutas orgânicas, reduzindo mão de obra e custos com defensivos.
Mesmo diante de desafios como ciclones que destruíram instalações hidropônicas, alguns agricultores, como Sheetal Danavle, voltaram ao método tradicional, mas agora utilizam as redes sociais para divulgar técnicas, atrair turistas e vender diretamente ao consumidor, reduzindo intermediários e aumentando a margem de lucro.
Com informações de BBC News.
Fonte: BBC News