Incêndio em barco de migrantes no Canal gera resgate de 173 pessoas
A operação conjunta de França e Reino Unido salvou todos os ocupantes, apesar do risco da embarcação.

Em 4 de agosto de 2026, o motor de uma embarcação que tentava cruzar o Canal de forma irregular incendiou-se, forçando um amplo resgate marítimo. As autoridades francesas e britânicas confirmaram que 173 migrantes foram retirados da situação e encaminhados a Boulogne-sur-Mer, sem registro de fatalidades.
O incêndio que comprometeu a embarcação
De acordo com a prefeitura marítima do Canal e do Mar do Norte, a integridade da embarcação deteriorou-se rapidamente após o fogo. A fragilidade estrutural dos barcos usados para essas travessias foi citada como razão para a decisão de não intervir antes do incidente. Quando o motor pegou fogo, a situação tornou-se de emergência extrema.
Como a operação de resgate foi conduzida
Equipes de socorro de ambos os países responderam ao chamado. A missão incluiu 40 bombeiros, 13 policiais, sete intérpretes e pessoal médico. As embarcações que participaram foram o bote salva-vidas da RNLI em Eastbourne, além dos navios da Border Force BSC Contender e BSC Courageous. Dois barcos franceses resgataram 105 migrantes, enquanto os navios britânicos evacuaram 63. Os primeiros cinco resgatados foram atendidos durante a noite, antes do incêndio.
Reação das autoridades britânicas e francesas
A Ministra da Segurança de Fronteiras, Anna Turley, afirmou que o episódio "mostra os perigos dessas travessias ilegais e as gangues impiedosas por trás delas". Um porta-voz do governo britânico declarou que o "Border Security Command" foi acionado e que "não há fatalidades relatadas". O mesmo órgão acrescentou: "Continuamos a trabalhar incansavelmente com a França e nossos parceiros no exterior para prevenir essas jornadas pérfidas".
O panorama das travessias de pequenos barcos
Entre 1º de janeiro e 3 de agosto de 2026, 14.561 pessoas cruzaram o Canal em embarcações de pequeno porte, queda de 43 % em relação ao mesmo período do ano anterior. Desde 2020, essas travessias são o método mais frequente de detecção de entradas irregulares no Reino Unido. A média de ocupantes por barco, entre 4 de agosto de 2025 e 3 de agosto de 2026, foi de 67 pessoas, mais que o dobro do registrado em 2021. O risco aumenta quando as embarcações ficam superlotadas; a ONU contabilizou 84 mortes em 2024.
Medidas de combate ao tráfico e ao risco de mortes
O governo britânico prometeu "esmagar as gangues" responsáveis pelas travessias. Em abril, Reino Unido e França firmaram um acordo de £662 milhões para impedir a migração ilegal, prevendo o envio de policiais treinados para praias francesas e o uso de drones e helicópteros franceses. O primeiro-ministro Rishi Burnham, durante visita a Dover, assegurou que a ação será "incansável" e que "as pessoas querem ver essa questão abordada". O número de chegadas em pequenos barcos tem diminuído, com a última quarta-feira registrando 752 migrantes, o dia mais movimentado do ano até então.
Com informações de BBC News.
Fonte: BBC News