Frete marítimo dispara e pressiona a Vale na exportação de minério
Contratos de longo prazo amortecem parte da pressão sobre a Vale diante do aumento dos custos de transporte
O forte avanço dos custos de frete marítimo para o transporte de minério de ferro reduziu a rentabilidade dos produtores globais e levou os preços FOB a níveis baixos. Na rota Brasil-China, o frete chegou a US$ 40 por tonelada, quase o dobro da rota Austrália-China, pressionando mineradoras brasileiras, entre elas a Vale (VALE3).
O que causa o salto nos fretes capesize
Segundo análise do Goldman Sachs, a oferta de embarcações capesize está desequilibrada em relação à demanda. O desequilíbrio se deve a tufões no Sudeste Asiático, aumento dos combustíveis marítimos, ciclo de manutenções obrigatórias e a limitada expansão da frota desde 2020. A demanda é reforçada pelo crescimento das exportações de bauxita da Guiné, que compete pelo mesmo tipo de navio.
Como o aumento afeta a rentabilidade das mineradoras
Os fretes que dobraram em relação à média dos últimos dez anos reduziram os preços recebidos nos portos de origem aos menores níveis desde 2018. O relatório indica que entre 50 e 70 milhões de toneladas anuais de minério produzido no Brasil operam próximo ao ponto de equilíbrio econômico, quando o custo do minério (US$ 100 por tonelada) se soma ao frete (US$ 40 por tonelada).
Proteção contratual da Vale frente ao cenário de fretes altos
O Goldman Sachs aponta que a Vale está relativamente protegida porque cerca de 90% a 95% dos volumes transportados em 2026 já estão cobertos por contratos de frete com tarifas inferiores às praticadas atualmente. Aproximadamente 80% dos embarques previstos para 2027 também contam com proteção contratual. Assim, cerca de 75% dos embarques da empresa são amparados por contratos de longo prazo, o que mitiga parte do impacto nas margens.
Comparativo com outras mineradoras brasileiras
Outras empresas apresentam maior exposição. A CSN Mineração (CMIN3) tem entre 40 e 45 milhões de toneladas por ano, com exposição integral aos preços spot de frete e compra de minério de terceiros para cerca de 30% de seus volumes. A Usiminas reduziu sua produção de minério em cerca de 30% diante da pressão dos fretes. Mineradoras de menor porte, como a Itaminas, chegaram a suspender parte da produção e conceder férias coletivas a cerca de 300 funcionários por tornar a exportação economicamente inviável.
Perspectivas para o mercado de fretes e minério de ferro
O Goldman Sachs projeta que a oferta e a demanda por embarcações dificilmente voltarão ao equilíbrio antes de 2028 ou 2029, apesar da expectativa de entrega de novos navios a partir de 2027. Enquanto isso, os custos mais altos podem elevar a curva global de custos da indústria e, se parte da produção deixar o mercado, apoiar os preços do minério. Para a Vale, a proteção contratual deve continuar amortecendo a pressão, mas o cenário de fretes apertados permanece como fator de risco para a rentabilidade das exportações brasileiras.
Com informações de InfoMoney, Brasil Mineral.
Fonte: InfoMoney, Brasil Mineral
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Reportagens de fundo do Explosão Solar que explicam o assunto desta notícia.