fazenda que respira ao contrário
propriedade de Pindamonhangaba registra sequestro maior que emissões
Em Pindamonhangaba, a Fazenda São Pedro da Mantiqueira revelou que, apesar de usar diesel, gado e fertilizantes, o carbono que captura no solo supera em 30 % o que libera. O levantamento, conduzido pela pesquisadora Susian Christian Martins e auditado pela KPMG, coloca a propriedade rural como sumidouro de carbono dentro dos critérios do GHG Protocol Agropecuário.
como o balanço de gases funciona
A conta considera tudo que a fazenda emite – combustível, fermentação entérica, fertilizantes – e tudo que ela retira, principalmente a fixação de carbono pelas raízes das plantas. Quando a remoção excede a emissão, o resultado é negativo e a propriedade funciona como dreno atmosférico.
metodologia e profundidade de medição
O cálculo utilizou três abordagens para o carbono do solo: Tier 2, Tier 3 e Tier 3 Métrico, sendo o último a medição direta por análise laboratorial CHN. Diferente do padrão de 30 cm usado em solos temperados, a Fazenda São Pedro mediu até 2 m, revelando que a camada entre 30 cm e 2 m guarda 330,67 tCO₂eq ha⁻¹, mais que os 267,08 tCO₂eq ha⁻¹ dos primeiros 30 cm.
carbono efêmero e fluxo anual
Além do estoque permanente, a propriedade também contabiliza o carbono efêmero – o que as plantas fixam e que, em boa parte, retorna rapidamente à atmosfera. Esse fluxo anual é separado do balanço de gases de efeito estufa para não ser confundido com sequestro permanente.
impacto no agronegócio
O estudo destaca que a contabilização de emissões e remoções de gases de efeito estufa ganha relevância à medida que produtores buscam medir seu impacto climático e identificar práticas que reduzam emissões ou ampliem a captura de carbono. A Fazenda São Pedro da Mantiqueira serve como exemplo de que manejo adequado pode transformar uma propriedade em sumidouro de carbono, mesmo em solos tropicais profundos.
Com informações de Globo Rural, ncnews.com.br, boca.com.br.
Fonte: Globo Rural, ncnews.com.br, boca.com.br