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Exposição de Mario Ceroli {IO} agita a cena artística em Roma

A mostra de 15 obras, quase todas de 2026, reabre o debate sobre identidade e memória

Daniele Morais
14 de outubro de 2026 · 2 min de leitura
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Exposição de Mario Ceroli {IO} agita a cena artística em Roma
Imagem: "New stage curtains at the 7th Street" by Mickey JT is licensed under CC BY 2.0. To view a copy of this license, visit https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/.

A abertura da mostra "Mario Ceroli {IO}" na 21Art Roma, em 15 de outubro de 2026, trouxe à capital italiana um conjunto de obras que questionam a identidade e a memória, gerando grande atenção do público e da crítica.

O que apresenta a exposição {IO}

Curada por Cesare Biasini Selvaggi, a exposição reúne quinze obras – escultura e instalação – quase todas produzidas em 2026. O título {IO} sugere uma reflexão sobre a identidade como problema de forma, não como certeza, e coloca o artista em diálogo constante com seu próprio passado.

Como a matéria se torna memória

Obras como "Un anno d’amore" (2026) transformam o calendário de 365 quadrados de madeira, criado em 1972, em 987 elementos metálicos, convertendo a medida do tempo em um registro afetivo. A mudança de material de madeira para metal altera a relação entre duração, memória e percepção, fazendo do calendário uma "contabilidade afetiva".

O teatro da escultura

Instalações como "Labirinto", composta por cinquenta elementos, e "Le campane di Trinità dei Monti", escultura em ferro, terra colorida e madeira, criam ambientes onde o espaço se comporta como palco. A escultura deixa de ser mero objeto e passa a ocupar o espaço como evento, reforçando a vocação teatral presente na obra de Ceroli desde a década de 1960.

Revisitar o passado sem celebrá-lo

A mostra não funciona como um inventário cronológico da carreira de Ceroli. Em vez disso, obras históricas são reapropriadas e modificadas, como "Curvilinee e squadra" (1965) que, na versão de 2026, recebe o título "L’architetto". Essa prática demonstra que a memória não se limita à preservação de imagens imutáveis, mas se transforma em reserva de possibilidades criativas.

O papel da curadoria

Cesare Biasini Selvaggi, conhecedor profundo da gramática artística de Ceroli, organiza as obras segundo correspondências e tensões que ressaltam a teatralidade do espaço. A curadoria evita um discurso reverencial e, ao invés disso, acompanha as irregularidades da produção, permitindo que a escultura mantenha sua autonomia enquanto dialoga com o ambiente expositivo.

Impacto e perspectivas

A exposição permanecerá aberta até 5 de fevereiro de 2027, oferecendo ao público romano e visitantes internacionais a oportunidade de vivenciar a materialização da memória e da identidade na prática escultural de Mario Ceroli. O evento reafirma a relevância da cidade como ponto de encontro de experimentação artística e reforça o legado do artista, que continua a questionar e reinventar sua própria obra.

Com informações de GBOPERA, Arte Magazine.

Fonte: GBOPERA, Arte Magazine

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