Exposição de Mario Ceroli {IO} agita a cena artística em Roma
A mostra de 15 obras, quase todas de 2026, reabre o debate sobre identidade e memória

A abertura da mostra "Mario Ceroli {IO}" na 21Art Roma, em 15 de outubro de 2026, trouxe à capital italiana um conjunto de obras que questionam a identidade e a memória, gerando grande atenção do público e da crítica.
O que apresenta a exposição {IO}
Curada por Cesare Biasini Selvaggi, a exposição reúne quinze obras – escultura e instalação – quase todas produzidas em 2026. O título {IO} sugere uma reflexão sobre a identidade como problema de forma, não como certeza, e coloca o artista em diálogo constante com seu próprio passado.
Como a matéria se torna memória
Obras como "Un anno d’amore" (2026) transformam o calendário de 365 quadrados de madeira, criado em 1972, em 987 elementos metálicos, convertendo a medida do tempo em um registro afetivo. A mudança de material de madeira para metal altera a relação entre duração, memória e percepção, fazendo do calendário uma "contabilidade afetiva".
O teatro da escultura
Instalações como "Labirinto", composta por cinquenta elementos, e "Le campane di Trinità dei Monti", escultura em ferro, terra colorida e madeira, criam ambientes onde o espaço se comporta como palco. A escultura deixa de ser mero objeto e passa a ocupar o espaço como evento, reforçando a vocação teatral presente na obra de Ceroli desde a década de 1960.
Revisitar o passado sem celebrá-lo
A mostra não funciona como um inventário cronológico da carreira de Ceroli. Em vez disso, obras históricas são reapropriadas e modificadas, como "Curvilinee e squadra" (1965) que, na versão de 2026, recebe o título "L’architetto". Essa prática demonstra que a memória não se limita à preservação de imagens imutáveis, mas se transforma em reserva de possibilidades criativas.
O papel da curadoria
Cesare Biasini Selvaggi, conhecedor profundo da gramática artística de Ceroli, organiza as obras segundo correspondências e tensões que ressaltam a teatralidade do espaço. A curadoria evita um discurso reverencial e, ao invés disso, acompanha as irregularidades da produção, permitindo que a escultura mantenha sua autonomia enquanto dialoga com o ambiente expositivo.
Impacto e perspectivas
A exposição permanecerá aberta até 5 de fevereiro de 2027, oferecendo ao público romano e visitantes internacionais a oportunidade de vivenciar a materialização da memória e da identidade na prática escultural de Mario Ceroli. O evento reafirma a relevância da cidade como ponto de encontro de experimentação artística e reforça o legado do artista, que continua a questionar e reinventar sua própria obra.
Com informações de GBOPERA, Arte Magazine.
Fonte: GBOPERA, Arte Magazine
Entenda o tema
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