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El Niño de 2026 aquece recorde no Pacífico equatorial

Temperaturas diárias superam 3°C e aumentam riscos de saúde e agricultura no Brasil

Daniele Morais
22 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
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El Niño de 2026 aquece recorde no Pacífico equatorial
Imagem: "Ban Fracking and shale gas in Europe before it is too late!" by greensefa is licensed under CC BY 2.0. To view a copy of this license, visit https://creativecommons.org/licenses/b

Temperaturas diárias na faixa do Pacífico Equatorial já ultrapassaram 3°C, um valor ainda maior que o registrado no pico de 2015. Esse aquecimento precoce indica que o El Niño de 2026 pode ser o mais intenso desde que os registros começaram.

Recorde de aquecimento no Niño 3.4

O monitoramento diário do Climate Reanalyzer, plataforma do Instituto de Mudanças Climáticas da Universidade do Maine, mostrou anomalia de +3,04°C em 20 de setembro. Essa medida supera o maior valor diário já registrado na faixa Niño 3.4, usada para acompanhar a evolução do fenômeno.

Classificação e projeções da NOAA

Segundo a NOAA, anomalias acima de 2°C são classificadas como “muito forte”. José Marengo, do Cemaden, confirma que a média mensal de setembro, já em 2,1°C, coloca o evento na categoria muito forte. A agência alertou, em 10 de setembro, para a possibilidade de o El Niño de 2026 ser o mais intenso desde 1950, com pico esperado entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Riscos à saúde apontados pela OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreveu o El Niño como “grande ameaça à saúde”. Teresa Zakaria, da OMS, destacou que o fenômeno pode intensificar ondas de calor, piorar a qualidade do ar por incêndios florestais e favorecer surtos de desnutrição, cólera, malária, dengue e chikungunya. Ela pediu medidas preventivas para evitar que esses riscos se transformem em crises.

Impactos agrícolas e sociais no Brasil

Estudos interinstitucionais indicam que o El Niño muito forte elevará a probabilidade de chuvas acima da média no Sul e reduzirá precipitação no centro-norte, afetando a produção de feijão, soja, milho, frutas, mandioca, café e hortaliças. Em Minas Gerais, o risco de seca, fogo e chuva irregular aumenta, pressionando o campo e as cidades. O painel do Inmet, Inpe, ANA e demais órgãos prevê permanência do fenômeno até ao menos início de 2027.

Desafios para a resposta pública

Especialistas ressaltam que a combinação de aquecimento oceânico e mudanças climáticas globais pode tornar até eventos moderados mais severos. A OMS recomenda reforçar a vigilância epidemiológica e garantir suprimentos médicos nas áreas de maior risco. No âmbito nacional, a integração de inteligência artificial em sistemas de apoio à decisão busca melhorar a detecção de vulnerabilidades e a priorização de intervenções.

Com informações de G1, Folha de S.Paulo, Estado de Minas.

Fonte: G1, Folha de S.Paulo, Estado de Minas

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