EA é comprada por fundo saudita em maior compra alavancada da história
A transação, concluída em 4 de agosto de 2026, coloca a Public Investment Fund no controle da desenvolvedora

Em 4 de agosto de 2026, a Electronic Arts (EA) passou a fazer parte de um consórcio de compradores que inclui o Public Investment Fund (PIF) da Arábia Saudita, após a conclusão de uma transação de US$ 55 bilhões (£41 bilhões). A operação encerra a presença da empresa na bolsa de valores, já que todas as ações públicas foram adquiridas.
Venda de EA a fundo saudita é concluída
A compra coloca a EA, conhecida por títulos como EA FC (antigo FIFA), The Sims e Mass Effect, sob controle privado. Entre os investidores está a Affinity Partners, liderada por Jared Kushner, genro do ex-presidente Donald Trump.
Como funciona a compra alavancada
A transação é considerada a maior compra alavancada da história, ou seja, grande parte do valor foi financiada com dívida. O PIF já aportou US$ 36 bilhões e precisou contratar US$ 20 bilhões em empréstimo junto ao JPMorgan, dívida que será assumida pela EA.
Reações da comunidade e preocupações sobre conteúdo
Analistas como Jason Schreier, da Bloomberg, sugerem que o peso da dívida pode levar a demissões em massa, estratégias de monetização mais agressivas e outras medidas de corte de custos. Christopher Dring, da Game Business, alerta que o grupo de investidores costuma adotar uma postura muito prática na gestão das empresas.
Fãs da EA expressaram preocupação, especialmente em relação a jogos como The Sims, que promovem inclusão e relacionamentos LGBT+. No país do comprador, a prática consensual de relações homossexuais pode ser punida com morte ou açoites, segundo interpretações da sharia.O grupo de defesa Players Alliance HQ pediu que jogadores enviem petições a políticos locais, temendo que a maioria das ações do PIF possa influenciar decisões criativas e reduzir temas como liberdade de expressão, gênero e direitos LGBTQI+ nas franquias da EA.
Motivações do fundo público da Arábia Saudita
O PIF, um fundo de £514 bilhões usado pelo governo saudita para investimentos diversos, já possui participação no clube de futebol Newcastle United e em quatro clubes da Saudi League. George Osborn destaca que a compra oferece ao fundo uma oportunidade financeira atraente, dada a longevidade de 35 anos da EA e seus jogos de serviço ao vivo, que continuam gerando receitas após o lançamento.
Além do aspecto econômico, Osborn aponta que a EA representa um ativo de “soft power” inserido na comunidade esportiva, ampliando a influência do PIF no mundo dos jogos e do esporte.
Impactos esperados para a empresa e para o mercado
Apesar de desafios recentes, como demissões e cancelamentos de projetos, a EA registrou receita de US$ 7,5 bilhões no último ano. O lançamento de Battlefield 6 em outubro vendeu mais de 7 milhões de cópias nos primeiros três dias, estabelecendo recorde de franquia, embora tenha sido seguido por novas demissões.
O CEO Andrew Wilson, que permanecerá à frente da companhia, reafirmou a intenção de criar “experiências transformadoras para inspirar gerações”. Contudo, a presença dominante do PIF levanta dúvidas sobre como a estratégia de gestão e a direção criativa da EA serão moldadas nos próximos anos.
Observadores apontam que a aquisição reforça acusações de “sportswashing”, prática de usar esportes e entretenimento para melhorar a imagem internacional de regimes acusados de violações de direitos humanos, conforme relatado em um relatório da ONU de 2019 sobre o assassinato de Jamal Khashoggi.
Com informações de BBC News.
Fonte: BBC News