Disputas internas por número de candidato na urna geram embates
Escolha de numeração estratégica movimenta bastidores de partidos como PT e PL
O início da campanha eleitoral marcou o fim de disputas internas em partidos políticos brasileiros pela definição do número dos candidatos na urna. A questão gerou embates e levou a discussões dentro do PT e do PL, com direito a críticas públicas e acionamento da Justiça Eleitoral.
A estratégia por trás do número na urna
Para os candidatos, o número na urna eletrônica é considerado uma questão estratégica. A depender do cargo disputado, os políticos buscam sequências que facilitem a memorização pelo eleitor na hora da votação, especialmente quando compostas de forma similar à dos principais concorrentes para a presidência da República.
Queda de braço no PT do Rio de Janeiro
A disputa para deputado federal no Rio de Janeiro envolveu o número 1313 no PT. Os candidatos Lindbergh Farias e Marcelo Freixo criticaram publicamente a decisão de Washington Quaquá, representante da Executiva Nacional no estado, de destinar o número ao próprio filho, Diego Quaquá, que é presidente do partido no estado e candidato a deputado federal. Lindbergh e Freixo afirmaram em vídeo que o partido precisa respeitar a democracia interna. Quaquá respondeu que o número já havia sido usado por ele e agora pertenceria ao presidente estadual da legenda. No fim, a decisão da executiva nacional prevaleceu, e os demais candidatos ficaram com outras numerações.
Imbróglio no PL do Distrito Federal
No Distrito Federal, a disputa no PL ocorreu pelo número 22.222, voltado para o cargo de deputado distrital. O atual deputado Roosevelt Vilela tentou trocar sua numeração anterior pelo número estratégico, mas o partido deu preferência a Eduardo Torres, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Roosevelt acionou o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, que negou o pedido e entendeu que os partidos têm autonomia para definir suas estratégias. A defesa de Torres alegou que a prioridade só ocorre quando o candidato já concorreu com o número anteriormente.
Atribuição de números em São Paulo
Outros números do PL também foram definidos por decisão interna da sigla para nomes próximos à família Bolsonaro. Em São Paulo, o número 2222 para deputado federal ficou com Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O que diz a legislação eleitoral
Pela lei, os números dos candidatos devem conter o código do partido seguido por dígitos à direita conforme o cargo. A atribuição ocorre nas convenções partidárias estaduais, respeitando a autonomia interna das legendas. A legislação prevê preferência para quem já utilizou o número na eleição anterior para o mesmo cargo, mas a decisão final cabe ao partido, que pode utilizar critérios internos ou realizar um sorteio durante a convenção.
Com informações de G1, Folha de S.Paulo, SpaceMoney.
Fonte: G1, Folha de S.Paulo, SpaceMoney