Desenrola 3.0: governo compra dívidas e tenta aliviar famílias
Nova fase do programa visa reduzir superendividamento com leilão de carteiras
Na sexta-feira (25), o governo federal anunciou o Desenrola 3.0, nova etapa do programa de renegociação de dívidas que passa a comprar carteiras de crédito dos bancos. A medida foi apresentada em São Paulo, poucos dias antes das eleições presidenciais.
Como funciona a compra de dívidas
Ao contrário das versões anteriores, o Estado deixará de atuar como mediador entre devedor e instituição financeira e passará a adquirir, em leilão, as carteiras de crédito com desconto. O governo estima que o deságio possa chegar a 90% e que o repasse desse desconto será feito às famílias para quitação ou parcelamento das dívidas.
Quem pode se beneficiar
O programa focará em dívidas de cartão de crédito (parcelada e rotativa) e em empréstimos pessoais sem consignação, com valores de até R$ 10 mil e atraso entre dois e quatro anos e meio. O Ministério da Fazenda poderá definir critérios adicionais de renda para a seleção dos beneficiários.
Impacto fiscal e orçamento
O Tesouro Nacional planeja desembolsar cerca de R$ 15 bilhões para adquirir um estoque de R$ 150 bilhões em débitos, o que representa um custo fiscal inferior ao valor total das dívidas graças ao deságio previsto. Segundo o ministro Bruno Moretti, não haverá aumento de despesa global; o recurso será realocado dentro do orçamento de 2027.
Cronograma e etapas do leilão
O primeiro leilão está previsto para novembro de 2026, com a compra sendo feita pelo Tesouro ou por instituição financeira federal. Os bancos deverão apresentar suas propostas em dezembro, as quais serão homologadas em janeiro; os contratos deverão ser assinados no mês seguinte e os descontos repassados aos devedores em fevereiro.
Diferenças em relação às versões anteriores
Nas fases anteriores, a renegociação era feita individualmente entre o devedor e o banco. Agora, o governo assume a compra das carteiras, eliminando a necessidade de que cada família procure a instituição financeira. Como destacou o presidente Lula, “As pessoas antes tinham que procurar um banco. Agora, o governo vai comprar a dívida das pessoas”.
Com informações de G1, VEJA, Folha de S.Paulo.
Fonte: G1, VEJA, Folha de S.Paulo