Desenrola 3.0: governo compra dívidas e corta juros
Programa prevê a aquisição de R$ 150 bi em débitos de até R$ 10 mil com deságio de 90 %
O governo federal lançou nesta sexta-feira (25) o Desenrola 3.0, nova fase do programa de renegociação de dívidas, para aliviar o recorde de endividamento das famílias brasileiras. A medida foi anunciada durante um evento em São Paulo, pouco antes das eleições, e ganhou destaque imediato nas buscas online.
O que é o Desenrola 3.0
Trata-se da terceira rodada do programa Desenrola, que agora prevê a compra de carteiras de crédito inadimplente pelas instituições financeiras. O Estado pretende adquirir R$ 150 bi em dívidas – que correspondem a 50 % do estoque total estimado em R$ 300 bi – pagando apenas 10 % do valor nominal, ou seja, com deságio de 90 %.
Como funciona a compra das carteiras
Os bancos deverão apresentar suas carteiras em leilão previsto para novembro. Vencerá a proposta que oferecer o maior desconto, e o Tesouro Nacional ou outra instituição financeira federal realizará a aquisição. O custo máximo para a União está limitado a R$ 15 bi, que será incluído nos Projetos de Lei Orçamentária Anual de 2027 e 2028.
Quem pode se beneficiar
Serão contempladas dívidas de cartão de crédito (parcelada e rotativa) e de crédito pessoal sem consignação, com valor máximo de R$ 10 mil e atraso entre dois e quatro anos e meio – ainda antes do prazo de prescrição de cinco anos. O desconto obtido será repassado integralmente ao devedor, que poderá quitar o saldo restante à vista ou parcelar com juros definidos pelo Conselho Monetário Nacional.
Impacto no orçamento e no endividamento
O desembolso de R$ 15 bi não acarretará aumento de despesa global, segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, pois será feito por remanejamento entre rubricas. A expectativa é que a medida reduza o comprometimento da renda das famílias, que já supera 28 % segundo o Banco Central, e contenha o superendividamento.
Relação com a proibição das bets
O anúncio do Desenrola 3.0 ocorreu junto à medida que proíbe as apostas online (bets). O governo vinculou as duas ações, argumentando que o combate ao vício em jogos complementa o esforço de reestruturação de dívidas, evitando que as famílias retornem ao endividamento após a renegociação.
Com informações de G1, Estadão.
Fonte: G1, Estadão