Comissão de caridade investiga doações a assentamentos ilegais
A investigação, iniciada após denúncia de parlamentares, buscará quantificar recursos enviados a assentamentos considerados ilegais pelo direito internacional.

Em 4 de agosto de 2026, a Charity Commission, órgão regulador de caridades da Inglaterra e País de Gales, anunciou a abertura de uma investigação sobre recursos enviados a assentamentos israelenses classificados como ilegais sob o direito internacional. A ação segue denúncia formal de uma parlamentar trabalhista.
Investigações iniciadas pela Charity Commission
A investigação terá foco inicial em oito organizações ainda não identificadas publicamente. Conforme declarado por Stephen Roake, assistente de diretor de compliance de alto risco da comissão, "Serious allegations have been made about UK charities operating in illegal Israeli settlements in Palestine, so our first step is to establish the facts. Only then can we determine if regulatory action is required, based on our findings and the evidence we see. Our fact-finding will also help us develop regulatory guidance for charities, which will to help ensure public trust and confidence in charities."
Denúncia que motivou a ação
A medida responde a uma queixa apresentada pela deputada trabalhista Melanie Ward, que alegou que 32 caridades haviam doado ao menos £28 milhões a assentamentos israelenses ilegais. Ward afirmou que ela e 140 colegas do Partido Trabalhista "wanted to see a ban rather than an inquiry" e criticou a aparente inércia da comissão desde a primeira divulgação da imprensa, em julho do ano anterior.
Alcance e metas da investigação
Além de analisar as oito caridades iniciais, a comissão indicou que ampliará o número de organizações sob escrutínio ao longo do processo. O órgão também compartilhou informações sobre o escopo da investigação com a polícia e a Receita Federal (HMRC). A unidade de crimes de guerra da Polícia Metropolitana declarou que, no momento, não está conduzindo investigação sobre caridades relacionadas a doações a assentamentos ilegais.
Reações de parlamentares
A então secretária externa, Yvette Cooper, havia solicitado à comissão que investigasse o tema, alegando que "charity systems are abused to funnel support to illegal settlements" e que "some evidence suggests that rules are being broken", além de expressar preocupação com "UK gift aid [tax relief] being funnelled to illegal settlements". A deputada Abtisam Mohamed, membro do comitê de relações exteriores, destacou que "we know there is evidence of at least 32 charities engaging in this abhorrent practice. The Charity Commission must investigate them as well and move quickly to stamp out this behaviour altogether" e acrescentou que "Funding illegal Israeli settlements is extremist activity linked to the violence and dispossession of Palestinians and bears no relation to charitable activity."
Próximos passos e cooperação institucional
Ao concluir a fase de coleta de fatos, a comissão avaliará a localização dos parceiros das caridades e a data das supostas atividades. A possibilidade de divulgar publicamente os nomes das organizações será considerada quando os resultados forem publicados. A colaboração com a polícia e a HMRC indica um esforço conjunto para garantir que eventuais violações sejam identificadas e, se necessário, sancionadas.
Com informações de The Guardian.
Fonte: The Guardian