Ciclone no Atlântico Sul coloca litoral brasileiro em alerta para ressaca
Formação meteorológica provoca ondas de até 3 metros nos litorais do Sul e Sudeste
A atuação de um ciclone extratropical de grande extensão no Atlântico Sul colocou a costa do Brasil sob alerta para ressaca marítima e ondas de até 3 metros. O fenômeno meteorológico influencia diretamente a dinâmica costeira, provocando agitação marítima que atinge as regiões Sul e Sudeste nos primeiros dias da semana.
Atuação do ciclone e avisos da Marinha do Brasil
Diante do avanço do sistema, a Marinha do Brasil, por meio do Centro Hidrográfico da Marinha (CHM) e da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), emitiu um aviso de mau tempo para risco de ressaca nesta segunda-feira (24) e terça-feira (25). A previsão oficial aponta ondas variando entre 2,5 e 3 metros na orla, com risco elevado também para a navegação em alto-mar.
As medições indicam que a ondulação de sul impacta primeiro o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde o risco de maré alta e ressaca segue entre segunda-feira (24) e quinta-feira (27). As projeções do modelo ECMWF WAM indicam que a agitação se intensifica no litoral do Sudeste, podendo gerar ondas entre 2,8 e 3,7 metros em trechos mais expostos de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Características do sistema meteorológico
Identificado por imagens do satélite GOES-19, o ciclone chamou a atenção dos meteorologistas por apresentar uma área ampla de atuação e pressão de 970 hPa, patamar típico de latitudes mais elevadas. O vento circular do sistema gira no sentido horário, puxando massas de ar polar em direção à América do Sul.
De acordo com análises da MetSul Meteorologia, o sistema representa o segundo de dois ciclones previstos para influenciar a região, destacando-se não pelo volume de chuva no continente, mas pelo transporte de ar frio e pela intensidade dos ventos sobre o oceano.
Queda de temperatura e impactos na América do Sul
Além de movimentar o oceano, o sistema meteorológico provocou quedas bruscas de temperatura no continente. No Brasil, o município de Bom Jardim da Serra registrou a marca de -7,7°C.
Em outros países da América do Sul, os efeitos também foram expressivos:
- O Serviço Meteorológico Nacional da Argentina (SMN) reportou tempestades, granizo e neve nas províncias de Neuquén e Río Negro, com mínimas de -2°C e máximas de 11°C.
- Municípios como San Carlos de Bariloche e El Bolsón registraram possibilidade de queda de neve.
- O Uruguai também esteve sob a rota de influência do ar gelado empurrado pelo ciclone.
Nova frente fria e risco de temporais
Embora o ciclone comece a se afastar gradativamente em direção ao leste, distanciando-se do continente, a estabilidade não deve durar muito tempo. Uma nova frente fria está prevista para chegar à Região Sul na quinta-feira (27), segundo informações da Meteored.
Essa nova frente fria deve elevar o risco de chuva intensa e tempestades severas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, avançando posteriormente em direção a São Paulo e Mato Grosso do Sul, com possibilidade de intensificação do tempo severo durante o fim de semana.
Com informações de ND Mais, Diário do Litoral.
Fonte: ND Mais, Diário do Litoral