Caso Nolan Wells: júri decide não apresentar acusações criminais
Investigação apontou que o jovem de 18 anos morreu de forma consistente com afogamento acidental no Mississippi.

O grande júri do condado de Jackson, no estado americano do Mississippi, decidiu de forma unânime não apresentar acusações criminais sobre a morte do jovem Nolan Wells, de 18 anos. A investigação concluiu que não houve crime nem motivação racial no caso do atleta de futebol americano universitário, que desapareceu após uma viagem a uma ilha em julho. O resultado foi divulgado após a análise de registros telefônicos, depoimentos e laudos periciais.
O que aconteceu na ilha Horn
Wells viajou para a ilha Horn, localizada a cerca de 10 milhas da costa do Mississippi, com um grupo de amigos no dia 4 de julho para comemorar a data. Ele foi encontrado morto na água na manhã de 6 de julho. O jovem estava a bordo da embarcação "The Triton", que apresentou falhas na bomba de porão e no motor durante o retorno, precisando ser rebocada por outro barco. No entanto, o júri apontou que Wells optou por permanecer na ilha para continuar socializando após a partida dos barcos. O celular dele acabou retornando ao continente em outra embarcação, assim como ocorreu com os aparelhos de outros passageiros.
Os laudos médicos e a causa da morte
Tanto o médico legista chefe do estado do Mississippi quanto um patologista forense independente contratado pela família de Wells concordaram que a causa e a forma da morte do jovem são indeterminadas. Os documentos do tribunal indicam que a morte é consistente com afogamento acidental, o que não foi descartado pelas autoridades. O corpo apresentava um hematoma não fatal na parte de trás da cabeça. Uma testemunha sob juramento afirmou que Wells escorregou de forma desajeitada na lateral de um barco, mas continuou socializando e não pareceu ferido. Não foram encontrados sinais de trauma físico fatal, nem vestígios de uso de cocaína no exame toxicológico. O jovem havia comprado bebida alcoólica com uma identidade falsa, e nenhum adulto maior de 21 anos forneceu álcool ao grupo.
Esclarecimento sobre boatos e imagens virais
O grande júri, composto por 23 membros, avaliou relatórios forenses de celulares, registros de GPS, imagens de câmeras de segurança, 132 intimações e os depoimentos de 43 testemunhas. A equipe jurídica da própria família de Wells também não encontrou provas de atividade criminosa para encaminhar aos promotores. Com isso, as autoridades desmentiram boatos que circulavam na internet sobre uma suposta briga envolvendo Wells e acusações contra seus amigos. Fotos virais do jovem em uma festa na piscina eram de datas anteriores ao dia 4 de julho, e um áudio divulgado de uma ligação para o serviço de reboque SeaTow estava incorreto em relação à gravação original. Também foi negado o boato de que órgãos teriam sido retidos pelo necrotério do estado antes da perícia independente.
Possibilidade de reabertura das investigações
A promotora distrital Angel Myers McIlrath afirmou em comunicado que não há provas de que a morte do jovem, que era negro, tenha tido motivação racial. Ela destacou que os amigos de Wells o amavam e que ele escolheu ficar na ilha. Apesar da decisão de não indiciar ninguém, os documentos do tribunal relembram que o estado do Mississippi não possui prazo de prescrição para casos de homicídio. Se novas evidências críveis de crime surgirem no futuro, o caso poderá ser reaberto e apresentado a um novo júri.
Com informações de WLOX, New York Post.
Fonte: WLOX, New York Post