Carla Zambelli volta a brigar na Itália e no STF
A ex-deputada tenta reverter condenações e impedir a extradição ao Brasil

Carla Zambelli, ex-deputada federal, voltou ao Brasil depois de quase um ano na Itália. Ela contratou o advogado Eduardo Maurício para solicitar revisões criminais no STF e impedir sua extradição, enquanto a Justiça italiana prepara o julgamento de um segundo pedido. A defesa questiona a legalidade das condenações e a inclusão da Interpol.
Revisões criminais no STF
Eduardo Maurício, especialista em processos de extradição, assumiu a defesa de Zambelli em 17 de setembro. Ele irá pedir revisões criminais de duas condenações do STF: uma de dez anos por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça e inserção de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes; outra de cinco anos e três meses por apontar uma arma a um homem em São Paulo. A revisão pode levar a mudança ou anulação das penas.
Extradição e Justiça Italiana
A Justiça italiana deve julgar no dia 28 o segundo pedido de extradição, que envolve a condenação por perseguição armada. O primeiro pedido, referente ao CNJ, já foi rejeitado. A defesa também busca retirar o nome de Zambelli da lista vermelha da Interpol, alegando que a inclusão foi “inflada” para induzir erro.
Renúncia do antigo advogado
O advogado Fábio Pagnozzi renunciou ao mandato em 17 de setembro após cobrança de apoio político em troca de serviços. Pagnozzi alegou que Zambelli não pagou honorários e que o acordo incluía apoio político. Eduardo Maurício contestou a versão de Pagnozzi, afirmando que a defesa da ex-deputada foi conduzida por ele e pelo advogado italiano Pieremilio Sammarco, e que não há valores de honorários pendentes.
Contexto das condenações
Em 16 de maio de 2025, Zambelli foi condenada a dez anos por contratar o hacker Walter Delgatti Neto para invadir os sistemas do CNJ e inserir um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes. Nove dias depois, ela deixou o Brasil, cruzando fronteiras até a Itália. Em 22 de agosto de 2025, recebeu outra condenação de cinco anos e três meses por perseguição armada em São Paulo. A Corte de Cassação italiana rejeitou a decisão de extradição referente ao CNJ e determinou novo julgamento para o caso de perseguição armada.
Defesa e alegações de perseguição política
A defesa de Zambelli alega que as condenações são ilegais e abusivas, e que houve perseguição política por parte dos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Maurício destaca a participação desses ministros na crise do STF e pretende denunciar a eles em organismos internacionais, como o Tribunal Penal Internacional e a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Próximos passos
O próximo julgamento na Itália está marcado para o dia 28, e a revisão criminal no STF pode alterar as penas de Zambelli. A defesa continua a trabalhar para impedir a extradição e remover a ex-deputada da lista vermelha da Interpol.
Com informações de Metrópoles, Valor Econômico, Gazeta do Povo.
Fonte: Metrópoles, Valor Econômico, Gazeta do Povo