BP pede que governo britânico priorize petróleo e gás do Mar do Norte
Meg O’Neill defende produção nacional enquanto BP se prepara para deixar o Mar do Norte

Em 4 de agosto de 2026, Meg O’Neill, diretora executiva da BP, conversou com o recém-eleito primeiro-ministro Andy Burnham, pedindo que o Reino Unido dê prioridade ao petróleo e gás produzidos no próprio território, enquanto a companhia se prepara para vender seus ativos no Mar do Norte após seis décadas de operação.
BP anuncia saída do Mar do Norte
A empresa de energia de 117 anos sinalizou que deixará o Mar do Norte depois de 60 anos de presença, como parte de um plano mais amplo de simplificação de seu portfólio. O’Neill afirmou que os investimentos na bacia não são competitivos dentro da carteira da BP, ao mesmo tempo em que recebeu diversas propostas não solicitadas para adquirir os campos. Ela demonstrou otimismo de que os ativos permanecerão rentáveis nas mãos de um futuro comprador.
Meg O’Neill defende energia doméstica
Durante a conversa, O’Neill ressaltou que 75 % da energia do Reino Unido provém de combustíveis fósseis e que o primeiro barril de petróleo ou a primeira molécula de gás natural deveriam ser extraídos no próprio Mar do Norte. Segundo ela, “onde geramos empregos, geramos receita tributária, geramos todos esses impactos positivos”. A executiva destacou ainda que o novo primeiro-ministro mostrou desejo de trabalhar próximo ao setor empresarial e de adotar uma postura pragmática.
Lucros recordes impulsionados pela crise no Oriente Médio
Nos três meses que se encerraram em junho, o lucro trimestral da BP mais que dobrou, atingindo US$ 5,73 bilhões (£ 4,27 bilhões). O resultado refletiu o aumento dos preços do petróleo e do gás provocado pela crise no Oriente Médio, que também elevou o lucro líquido da empresa a quase US$ 10 bilhões – o maior desde o início da guerra da Rússia contra a Ucrânia. Esses números colocam a BP entre as maiores petrolíferas globais em termos de lucro naquele período.
Desafios do governo Burnham com projetos Jackdaw e Rosebank
O governo de Burnham deverá decidir se autoriza a continuidade de dois projetos controversos no Mar do Norte – os campos Jackdaw e Rosebank – apesar da crescente controvérsia sobre os lucros das petrolíferas e da evidência de agravamento da crise climática global. Ministros também enfrentam pressões para reformar o regime tributário da região, que a indústria argumenta acelerar o declínio natural dos campos devido às altas alíquotas.
Reações ao aumento de lucros das petrolíferas
Os lucros extraordinários das maiores companhias de petróleo e gás têm sido alvo de críticas. Consumidores e empresas lidam com contas de energia em alta, enquanto ondas de calor intensas afetam milhões na Europa, fenômenos ligados ao agravamento da crise climática impulsionada por combustíveis fósseis. Comentários externos, como o do ex-presidente dos EUA Donald Trump, apontam que empresas como Chevron e ExxonMobil deveriam devolver parte de seus ganhos ao público. Representantes da ONG Friends of the Earth também observaram que, enquanto a BP acumula lucros, milhares de famílias pagam contas de energia elevadas e enfrentam um clima cada vez mais extremo.
Com informações de The Guardian.
Fonte: The Guardian