Acidente na Montezum do Hopi Hari gera investigação do MP
Caso de Júlia Bossoni reacende debate sobre segurança da maior montanha‑russa de madeira da América Latina

O caso de Júlia Bossoni, que ficou sem movimentos após a segunda passagem pela Montezum, atrai atenção nacional e motivou a abertura de investigação pelo Ministério Público de São Paulo. O incidente reaviva discussões sobre os riscos associados a atrações radicais.
O que aconteceu com a jovem na Montezum
Júlia e João Pedro Bossoni foram ao Hopi Hari em Vinhedo e utilizaram a Montezum duas vezes no mesmo dia. Na segunda ida, as câmeras mostraram a jovem consciente durante a subida, mas ao retornar à plataforma apareceu desacordada e convulsionando. Funcionários do parque a retiraram em seis minutos e a encaminharam à Santa Casa de Vinhedo.
Diagnóstico e tratamento de Júlia Bossoni
Na UTI, exames revelaram hemorragia intracraniana e edema cerebral. O neurocirurgião Victor Batistela realizou uma craniectomia descompressiva, procedimento que retira parte da calota craniana para aliviar o inchaço. O laudo apontou traumatismo cranioencefálico causado por mecanismo de contragolpe – aceleração, desaceleração e rotação bruscas da cabeça durante o percurso.
Histórico de lesões na Montezum
Júlia não foi a primeira vítima. Em 2018, Nathalia Assenjo Motta sofreu deslocamento vertebral na mesma atração, necessitando de pinos e hastes cervicais. Em 2014, Márcio, então motoboy, ficou tetraplégico após a montanha-russa e morreu em 2023 por complicações de infecção urinária. Uma avaliação de consumidores registrou cerca de 40 relatos de dores no pescoço, lesões no joelho e costelas quebradas nos últimos dois anos.
Posicionamento do Hopi Hari e certificações
O parque afirma que a Montezum possui certificação internacional do grupo TÜV Nord e que as inspeções são realizadas anualmente, seguindo a norma ABNT NBR 15926-2023. Placas e avisos sonoros alertam sobre restrições a pessoas com problemas na coluna, gestantes e portadores de condições clínicas específicas. O Ministério Público emitiu parecer em agosto de 2026 que descartou risco coletivo ou defeito no projeto da atração.
Investigações e demandas judiciais
O Ministério Público de São Paulo abriu investigação e solicitou perícia policial na Montezum para verificar as condições da atração no momento do acidente. A família de Júlia entrou na Justiça buscando perícia que esclareça as circunstâncias e responsabilização. Até o momento, a apuração segue em andamento.
Consequências para a vítima e acompanhamento familiar
Júlia permaneceu 57 dias internada e já passou por sete cirurgias. Ela perdeu movimentos do lado esquerdo, apresenta dificuldade de fala e memórias turvas. A mãe, Danielle Rimolli, e João Pedro revezam os cuidados, com fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia três vezes por semana. A família relata que o parque custeou despesas médicas e disponibilizou seguro à família.
Com informações de G1, Diário do Centro do Mundo.
Fonte: G1, Diário do Centro do Mundo