50 anos de "a noite dos lápis" trazem debate à La Plata
Comemoração do fim de duas décadas de repressão desperta mobilizações estudantis e políticos

A lembrança dos 50 anos da "noite dos lápis" em La Plata tem reacendido debates sobre memória e justiça, provocando mobilizações estudantis e tensões dentro do peronismo. O evento, que marca meio século desde a invasão de estudantes pelos militares em 1976, trouxe à tona o legado de violência do regime e a necessidade de preservar a memória das vítimas.
Memória dos sobreviventes recebe reconhecimento acadêmico
Em 2024, a Universidade Nacional de La Plata concedeu diplomas honoris causa a três sobreviventes da operação – Emilse Moler, Gustavo Calotti e Pablo Díaz – e a familiares de estudantes desaparecidos. O reconhecimento foi parte de um esforço para reconstituir a história e lembrar que seis dos dez estudantes ainda são desaparecidos.
Mobilização estudantil e conflito interno peronista
Durante a marcha de 16 de setembro, a Federação de Estudantes Secundários (FES) e o Movimento Democrático de Frente (MDF) coordenaram suas participações, mas divergências surgiram quando o governo de Axel Kicillof não ofereceu transporte para os estudantes. A FES exigiu que cada organização arranjo seu próprio traslado, enquanto o governo ofereceu apoio logístico limitado.
Presença de autoridades e discurso de inclusão
O governador Kicillof compareceu à marcha, acompanhando a vicegobernadora Verónica Magario e outros ministros. Ele homenageou Moler, Calotti e a professora Estela de Carlotto, enfatizando que a memória deve ser preservada e que a educação continua com a garantia do boleto estudantil.
Desdobramentos políticos e culturais
A marcha também contou com a participação de figuras do kirchnerismo, como o senador Eduardo "Wado" de Pedro e a deputada Lucía Cámpora. A presença de artistas e a exibição de filmes como a obra de Héctor Olivera ajudaram a contextualizar a história para a juventude atual.
Desafios persistentes e a busca por justiça
Apesar de avanços, ainda há dúvidas sobre o destino final dos seis estudantes desaparecidos. A falta de informações e o silêncio de potenciais testemunhas continuam a dificultar a conclusão de investigações. O governo de Misiones, por exemplo, organizou o Festival Juvenil de Memória e Direitos, reforçando a importância de envolver jovens na preservação da democracia.
Com informações de EL PAÍS, Infobae, Revista Códigos.
Fonte: EL PAÍS, Infobae, Revista Códigos
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