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Vovó Vota: avós maranhenses lideram campanha contra a abstenção nas eleições de 2026

Quebradeiras de coco e outras idosas percorrem quilômetros para garantir a participação cidadã no segundo turno

Daniele Morais
21 de outubro de 2026 · 3 min de leitura
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Vovó Vota: avós maranhenses lideram campanha contra a abstenção nas eleições de 2026
Imagem: "Enfield UK local election 2026 map" by Radiul, Cake8325, Office for National Statistics, Ordnance Survey is licensed under CC BY-SA 3.0. To view a copy of this license, visit http

Na comunidade rural de Ludovico, no município de Lago do Junco, Maranhão, a quebradeira de coco babaçu Maria Alaídes Alves de Souza, 71 anos, caminhou 600 metros para exercer o voto no primeiro turno das eleições de 4 de outubro. Seu objetivo vai além do ato individual: ela percorre distâncias ainda maiores para mobilizar outras avós e trabalhadoras, garantindo que nenhuma delas deixe de registrar sua escolha nas urnas.

Um movimento que atravessa fronteiras estaduais

Maria Alaídes lidera um movimento interestadual que reúne quebradeiras de coco nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. Estima‑se que mais de 300 mil mulheres exercem essa atividade na região, e a liderança da idosa enfatiza que a participação popular é essencial para a conquista de direitos e políticas públicas, sobretudo no enfrentamento das mudanças climáticas que afetam diretamente a produção de coco babaçu.

Dados que revelam a importância do voto sênior

O Brasil conta com cerca de 16 milhões de eleitores com mais de 70 anos, representando 10,6% do eleitorado. Apesar de o voto ser facultativo para essa faixa etária desde a Constituição de 1988, a taxa de abstenção tem sido historicamente alta. No primeiro turno de 2026, o percentual de não comparecimento caiu quase 10 pontos percentuais, passando de 58,8% em 2022 para 49,1%.

Iniciativas locais que inspiram a rede

Além de Maria Alaídes, outras avós de diferentes regiões contam com o apoio de familiares para chegar às urnas. Em Orizona, Goiás, a 130 quilômetros de Goiânia, Maria Albino Costa, 85 anos, decidiu votar no cargo de presidente no segundo turno, acompanhada pela filha e pela neta. Ela relata que a dificuldade de lembrar números a havia afastado no primeiro turno, mas a presença da família a motivou a garantir os direitos conquistados após a ditadura.

Na capital pernambucana, Olinda, a professora aposentada Maria José Cantarelli, 80 anos, que há 12 anos não participava das eleições, resolveu voltar às urnas após conversar com filhos e neta. Apesar de ter perdido o título eleitoral, ela baixou o aplicativo e‑título para garantir o voto no dia 25.

Em Nova Iorque, Maranhão, Francisca Barroso Monteiro, 84 anos, destaca que o exercício da cidadania permitiu que seus dez filhos frequentassem a escola, reforçando a ideia de que o voto tem impacto direto nas oportunidades das próximas gerações.

Desafios de acessibilidade e atendimento prioritário

No Rio de Janeiro, Prazeres Maria da Silva Antunes, 72 anos, recorda as filas longas que enfrentou no primeiro turno, enquanto Beatriz Cintra Labaki, 79 anos, de São Paulo, precisou subir escadas para chegar à seção de votação. Uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral determina que eleitores idosos tenham atendimento prioritário e medidas de acessibilidade que assegurem autonomia e segurança durante o processo.

O papel da família e da memória histórica

Várias avós ressaltam a importância de transmitir a história de luta pelo voto às novas gerações. A professora Sandra Oliveira, filha de Maria Albino Costa, utiliza as experiências da mãe como exemplo em suas aulas, denunciando manifestações machistas e reforçando a necessidade de garantir espaço para as mulheres na esfera política.

Suely Mendonça, 79 anos, do Rio de Janeiro, descreve a emoção de caminhar até a seção de votação como um reencontro com a participação cidadã. Ela relembra sua vivência durante a ditadura militar, a participação nas Diretas Já e a prática de escolher candidatos pelos compromissos assumidos, sem vinculação partidária.

Campanha Vovó Vota para o segundo turno

Com o objetivo de reduzir ainda mais a abstenção, o movimento apartidário Vovó Vota promove a aproximação entre netas e avós durante as eleições. A mensagem central destaca que quem não votou no primeiro turno pode participar plenamente no segundo, sem restrições. A campanha busca, sobretudo, garantir que a memória de décadas sem voto se transforme em presença constante nas urnas.

Na data de 25 de outubro, as avós citadas – e muitas outras que ainda não foram mencionadas – levarão consigo a história de resistência, a esperança de políticas públicas mais inclusivas e a certeza de que a cidadania se fortalece quando cada voto, independentemente da idade, é registrado.

Com informações de Agência Brasil.

Fonte: Agência Brasil

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Entenda o tema

Reportagens de fundo do Explosão Solar que explicam o assunto desta notícia.

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