Roy Cohn e a origem das táticas de Trump
Entenda como o advogado de McCarthy influenciou o presidente dos EUA
Depois da vitória de Donald Trump nas eleições de 2016, o ex-presidente-eleito lembrou-se de Roy Cohn, seu antigo mentor, gerando grande interesse nas buscas por esse nome. A lembrança reacendeu discussões sobre a influência de Cohn nas estratégias de Trump.
Quem foi Roy Cohn
Roy Cohn ganhou notoriedade nos anos 1950 como chefe da equipe do senador Joseph McCarthy, responsável por perseguições anticomunistas. Mais tarde, atuou como advogado e "fixer" para figuras poderosas de Nova Iorque, como o cardeal Francis Spellman, o empresário George Steinbrenner e o magnata da mídia Si Newhouse, além de mafiosos como "Fat Tony" Salerno e John Gotti.
Relação com Donald Trump
Trump conheceu Cohn em 1973, quando buscava orientação sobre um processo federal que acusava a empresa familiar de discriminação racial. Cohn sugeriu uma contra-ação por difamação, embora a estratégia não tenha prosperado; o caso acabou em acordo sem admissão de culpa. Ambos compartilhavam a visão de que a lei era um instrumento para alcançar objetivos, não um conjunto de regras.
Estratégias aprendidas
Segundo o jornalista Sam Roberts, citado no livro "American Scoundrel", Trump aprendeu com Cohn três lições fundamentais: nunca ceder, contra-atacar imediatamente e reivindicar vitória mesmo em situações desfavoráveis. Essas táticas aparecem repetidamente nas ações de Trump, tanto no âmbito empresarial quanto político.
Perfil de poder e controvérsias
Cohn era conhecido por sua agressividade e por usar intimidação para alcançar resultados, como na acusação dos Rosenberg e na perseguição a funcionários federais suspeitos de homossexualidade. Apesar de sua postura pública homofóbica, mantinha sua própria orientação sexual em segredo, vivendo uma vida dupla que incluiu festas e propriedades relacionadas ao entretenimento adulto.
Legado e repercussão atual
O livro "American Scoundrel: Roy Cohn’s Dark Journey From Joe McCarthy to Donald Trump", de Kai Bird e Susan Goldmark, destaca que Cohn não apenas sobreviveu a processos criminais, mas também modelou um estilo de atuação que privilegia a imagem de outsider contra um establishment hostil, estratégia que Trump adotou ao entrar na política. A menção de Trump a Cohn reacendeu o debate sobre como práticas de décadas passadas ainda influenciam o cenário político contemporâneo.
Com informações de The Atlantic.
Fonte: The Atlantic