Jornalismo explicativo com profundidade e rigorPTENES
Explosão SolarProfundidade antes da pressaBuscar

Pessoas com deficiência ganham 30% menos e têm menor ocupação, diz IBGE

O Censo 2022 aponta que apenas 29% da população com deficiência estava empregada e que a renda média é significativamente menor.

Daniele Morais
18 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
CompartilharWhatsAppXFacebook

Novos dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (18), revelam um cenário de desigualdade no mercado de trabalho brasileiro para pessoas com deficiência. O estudo aponta que menos de um terço desse grupo está empregado e que seus rendimentos são significativamente inferiores aos dos trabalhadores sem deficiência.

A desigualdade na ocupação e renda

O nível de ocupação entre pessoas com deficiência era de 29% em 2022, o que significa que cerca de três em cada dez pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam ocupadas. Em contraste, entre as pessoas sem deficiência, o índice chegava a 55,8%. Essa diferença total no nível de ocupação foi de 26,8 pontos percentuais.

A desigualdade se reflete diretamente no bolso. O rendimento médio do trabalhador com deficiência era de R$ 2.053 em 2022, cerca de 30% inferior ao registrado entre pessoas sem deficiência, de R$ 2.890. O pesquisador do IBGE João Hallak Neto explica que, além de receberem menos dentro das mesmas áreas, as pessoas com deficiência estavam mais concentradas em setores com remunerações mais baixas.

O Brasil tinha 14,407 milhões de pessoas com deficiência, representando 7,3% da população com 2 anos ou mais de idade em 2022.

Setores de atuação e remuneração

As pessoas com deficiência estavam mais concentradas em atividades que remuneravam menos, como serviços domésticos, agropecuária e alojamento e alimentação. Em todos os grupos de atividades econômicas analisados, pessoas com deficiência recebiam menos do que pessoas sem deficiência.

Entre os setores analisados, administração pública, educação, saúde e serviços sociais apresentavam os maiores rendimentos. Nessa área, pessoas com deficiência recebiam, em média, R$ 3.223, o equivalente a 77,8% do rendimento médio de trabalhadores sem deficiência, de R$ 4.146.

O impacto nas famílias

A desigualdade no mercado de trabalho afeta a composição da renda familiar. Nos domicílios com pelo menos uma pessoa com deficiência, a renda do trabalho correspondia a 55,7% do rendimento médio total. Os outros 44,3% vinham de outras fontes. Já nos lares sem pessoas com deficiência, o trabalho representava 78,4% da renda, enquanto 21,6% eram provenientes de outras fontes.

Quando se considera a renda total das famílias, os domicílios onde vivem pessoas com deficiência tinham um rendimento médio de R$ 3.626 por mês. Esse montante equivale a 76,4% do orçamento das famílias sem pessoas com deficiência, que alcançava R$ 4.748 no mesmo período.

Diferenças por tipo de deficiência

O nível de ocupação variava conforme o tipo e a intensidade da dificuldade. O menor índice, de 12,9%, foi registrado entre pessoas com dificuldades associadas a alguma limitação nas funções mentais. Pessoas com dificuldades para caminhar ou subir degraus (17,2%) e para pegar objetos pequenos (17,7%) também apresentavam taxas abaixo da média. Entre aqueles com deficiência profunda, a fatia de trabalhadores cai para 21,2%, enquanto no grupo com deficiência severa o índice fica em 30,5%.

O maior percentual de ocupação entre os grupos analisados foi registrado entre pessoas com dificuldade para enxergar, com 35,9%. Entre aquelas com dificuldade para ouvir, o índice era de 27,5%. O grupo com dificuldade de enxergar era o maior no país, com 7,948 milhões de pessoas.

Recortes de gênero e raça

O Censo também apontou diferenças no nível de ocupação segundo sexo e cor ou raça. As mulheres com deficiência tinham menores níveis de ocupação (24,4%) em relação aos homens com deficiência (35,4%). Entre as mulheres com deficiência, as pretas ou pardas estavam em maior proporção ocupadas (25,6%) do que as brancas (22,7%).

O comportamento se repetiu entre os homens com deficiência, com 36,0% de pretos ou pardos ocupados, contra 34,6% dos brancos. O padrão era diferente entre as pessoas sem deficiência: nesse grupo, o nível de ocupação era maior entre os brancos.

Com informações de O GLOBO, InfoMoney.

Fonte: O GLOBO, InfoMoney

#Trabalho#Deficiência#IBGE#Censo 2022#Desigualdade#Mercado de trabalho
Também emEnglishEspañol
CompartilharWhatsAppXFacebook