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Partido Popular da Espanha renova candidatos e lança campanha para eleições.

Com 60% de novas candidaturas para o Congresso, o Partido Popular da Espanha realizou um evento em Salamanca e definiu estratégias para o pleito.

Daniele Morais
25 de outubro de 2026 · 6 min de leitura
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A cena política espanhola está em efervescência com a proximidade das eleições de 29 de novembro, e o Partido Popular (PP) tem sido um dos principais focos de atenção. O partido, liderado por Alberto Núñez Feijóo, está finalizando suas listas de candidatos para o Congresso e lançou oficialmente sua campanha em um evento em Salamanca, gerando intensa movimentação e debates que repercutem para além das fronteiras do país.

A corrida eleitoral de 29 de novembro e a renovação do PP

A pouco mais de 24 horas do fim do prazo para a elaboração das listas eleitorais, o Partido Popular (PP) de Alberto Núñez Feijóo já tem os nomes de todos os 52 candidatos ao Congresso. Para as eleições de 29 de novembro, o partido promoveu uma significativa renovação, trocando 60% dos candidatos em relação ao pleito de 2023. Dos 52 nomes apresentados para todas as circunscrições, 21 cabeças de lista foram mantidos, enquanto 31 são novos. Além disso, o PP e o Vox estão em negociações para a possibilidade de um pacto no Senado, buscando otimizar resultados e manter a maioria absoluta na Câmara Alta.

Feijóo enfatizou a importância do mundo local, com 13 dos 52 candidatos vindos da gestão em prefeituras, a maioria em capitais de província. Maria José Catalá, de Valencia, e Xavier García Albiol, de Badalona, são destacados como figuras importantes. Desses 31 candidatos renovados, 13 estão atualmente gerenciando prefeituras. As listas incluem também quatro ex-conselheiros regionais e dois ex-deputados regionais. Rafael Martínez-Peñalver, atual conselheiro de Urbanismo e Transporte, será o cabeça de lista por Ceuta, em um momento em que a cidade vive sem normalidade desde o final de julho devido à entrada de milhares de imigrantes. Feijóo prometeu solucionar a questão assim que assumir o Governo.

Lançamento da campanha em Salamanca e discursos acalorados

Alberto Núñez Feijóo escolheu Salamanca, um dos bastiões eleitorais do Partido Popular, para a apresentação de seus candidatos às eleições gerais. O CAEM da capital salmantina ficou pequeno para o evento, onde o PP busca manter o terceiro assento obtido em 2023. Flanqueado pelos 52 cabeças de lista de toda a Espanha, Feijóo dirigiu-se aos seus candidatos, afirmando que não pedia bajulação para si, mas exigia deles respeito, decência e serviço, qualidades que, segundo ele, faltam ao Governo.

O presidente do PP condenou os distúrbios ocorridos na cidade de Barcelona no sábado anterior, qualificando-os como “barbárie” e mostrando apoio à Polícia, Guarda Civil, Mossos e moradores. Ele apontou o Governo da Espanha como responsável pela situação, afirmando que “não querem paz nas ruas, estão semeando ódio porque sabem que vão perder”. Feijóo acusou o presidente do Governo de estar “brincando com fogo” e defendeu um Governo que garanta “o direito de viver tranquilos”. Ele também criticou a chapa do PSOE, mencionando nomes como Ábalos, Koldo, Leire e Cerdán, enquanto defendia a chapa do PP como a da “decência e da mudança”, com os “arquitetos da reconstrução”.

Alfonso Fernández Mañueco, presidente do PP de Castela e Leão e presidente da Junta, agradeceu a Feijóo por escolher Salamanca para a apresentação e defendeu a mudança de governo a partir de 29 de novembro, afirmando que apenas Feijóo é capaz de gerenciar o dia seguinte a Sánchez. Mañueco pediu o fim de “oito anos de mentiras, trapalhadas e corrupção”, reivindicando um projeto de “estabilidade e ilusão, política econômica eficaz, fortalecendo serviços públicos e famílias”. A porta-voz parlamentar do PP no Congresso e cabeça de lista por León, Ester Muñoz, também interveio, criticando o Governo por focar no “medo” e atacar o PP sem apresentar propostas. Ela afirmou que “o medo mudou de lado”, e que os espanhóis não querem “quatro anos mais de um frívolo em La Moncloa” ou de “um irresponsável em La Moncloa que deixou os maiores corruptos e cafetões em seu Governo e em seu partido”.

Figuras-chave e a estratégia contra a direita radical

Feijóo liderará a lista por Madrid, acompanhado de Cayetana Álvarez de Toledo, Borja Sémper e Alma Ezcurra. Álvarez de Toledo, que foi a sexta em 2023, sobe para a segunda posição, ganhando peso. Ezcurra, eurodeputada, também aparece nas listas após ganhar relevância no partido. A Comunidade de Madrid elege 38 deputados. A renovação é completa nas quatro províncias catalãs: Xavier García Albiol por Barcelona, Mónica Landete por Tarragona, Roger Melero por Lleida e Diana Moya por Girona. O PP tem a Catalunha como foco para melhorar os resultados nas quatro províncias, que elegem um total de 48 deputados. No País Basco, também há renovação total: Jon Echeverría por Gipuzkoa, Iñaki Oyarzábal por Álava e Esther Martínez por Biscaia. Martínez ganhou visibilidade em julho ao confrontar radicais que atacavam torcedores que celebravam a vitória da Espanha no Mundial de futebol.

A escolha de figuras como Cayetana Álvarez de Toledo e Xavier García Albiol, ambos com “discurso duro” e reconhecíveis pelo eleitorado mais conservador, é vista como uma estratégia do PP para disputar com Santiago Abascal, do Vox, parte do terreno onde a extrema direita construiu sua identidade. Miguel Tellado, secretário-geral do PP e diretor de campanha, repetirá como cabeça de lista por A Coruña. Ester Muñoz, porta-voz parlamentar e outra voz combativa, fará o mesmo por León. A estratégia busca reforçar aqueles que melhor representam uma direita disposta a confrontar, visando não apenas disputar o voto socialista ou mobilizar os abstencionistas, mas também fechar as vias de escape para o Vox e combater as etiquetas de “direitinha covarde” ou “PSOE azul” utilizadas pela ultradireita.

O panorama eleitoral em regiões estratégicas

A Andaluzia, que elege 60 assentos, também apresenta grande renovação, com apenas os dirigentes nacionais Elías Bendodo por Málaga e Juan Bravo por Sevilha repetindo suas candidaturas. Os demais candidatos foram renovados. Em Aragão, Rocío Dívar substitui Pedro Navarro como candidata por Zaragoza. Além disso, Miguel Tellado encabeça a lista por A Coruña, e outros três dirigentes nacionais lideram candidaturas: Ester Muñoz por León, Cuca Gamarra por La Rioja e Carmen Fúnez por Ciudad Real.

Em Castela e Leão, o PP apostou na continuidade dos cabeças de lista em papeletas onde as mulheres predominarão. Repetem como número um Ester Muñoz (León), Ángel Ibáñez (Burgos), Héctor Palencia (Ávila), Tomás Cabezón (Soria), Milagros Marcos (Palencia) e Pablo Pérez (Segovia). As caras novas incluem María Pardo por Valladolid, atual conselheira de Educação na Junta, Carmen Seguín por Salamanca, vereadora na prefeitura da capital, e Montse Chimeno por Zamora, gerente do Complexo Assistencial de Zamora. Nas últimas eleições gerais, o Partido Popular venceu em Castela e Leão com 41% dos votos, quase 600.000 votos, e um total de 18 deputados, com a maior representação na província de Salamanca, com três assentos. Na Comunidade Foral de Navarra, Leticia San Martín (UPN) e Sergio Sayas (PP) serão candidatos.

Com informações de La Vanguardia, Cadena SER, infoLibre.

Fonte: La Vanguardia, Cadena SER, infoLibre

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