Lula avalia indicar Geraldo Alckmin para o Ministério da Fazenda
Proposta busca atrair eleitores de centro e reforçar a credibilidade fiscal após desvantagem no primeiro turno.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia anunciar o vice-presidente Geraldo Alckmin como seu ministro da Fazenda em um eventual novo mandato, disseram interlocutores a par das conversas. A medida é articulada como uma estratégia para reforçar as credenciais do governo junto ao mercado financeiro e atrair eleitores de centro após o encerramento do primeiro turno da eleição presidencial. Pelo desenho em estudo, Alckmin permaneceria na vice-presidência e assumiria simultaneamente a condução da equipe econômica.
Plano prevê acúmulo de cargos e autoridade econômica
As conversas de bastidor apontam que a proposta ainda está sob discussão interna, sem resposta oficial da Presidência da República até o momento. A manutenção de Alckmin na vice-presidência somada ao comando da Fazenda consolidaria sua autoridade sobre a política econômica no próximo ano. Esse modelo daria estabilidade ao cargo, já que o posto seria ocupado por uma autoridade vista como imune a eventuais demissões pelo presidente.
Em 2022, Lula também considerou Alckmin para chefiar a pasta econômica, mas optou por indicar o petista Fernando Haddad após sair vitorioso nas urnas. Agora, a retomada da ideia visa responder diretamente ao cenário imposto pelas urnas.
Perfil de centro e interlocução com o setor produtivo
Político veterano de centro e ex-governador de São Paulo por quatro mandatos, Geraldo Alckmin disputou a Presidência da República contra Lula em 2006. No atual mandato, além da vice-presidência, assumiu o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, onde atuou como um dos principais articuladores do governo federal com Washington diante das tarifas aplicadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as exportações brasileiras.
Visto como uma liderança moderada com bom trânsito entre empresários, Alckmin teve sua influência ofuscada ao longo do governo por políticas públicas de viés à esquerda, segundo críticos. A eventual ida para a Fazenda tem o objetivo de conquistar eleitores focados na disciplina fiscal que hesitam em votar em Flávio Bolsonaro, mas que se mostram incomodados com tendências populistas.
Reação do mercado e resultado do primeiro turno
A formulação do plano ocorre depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Lula, obtendo 47% dos votos contra 45% do atual presidente. O resultado contrariou as pesquisas eleitorais, que sinalizavam vantagem para Lula, e veio acompanhado pela eleição de uma bancada de direita expressiva no Congresso Nacional.
O avanço do senador do PL e de seus aliados impulsionou os negócios na Bolsa de Valores na segunda-feira seguinte ao pleito. Operadores de mercado avaliaram que uma administração sob Flávio Bolsonaro teria maior apoio parlamentar para aprovar uma consolidação fiscal com maior agilidade.
Cenário fiscal e declarações de Lula
O debate econômico se intensifica devido ao crescimento da dívida pública bruta brasileira, que avançou mais de dez pontos percentuais do Produto Interno Bruto desde o início do governo Lula, chegando a 82,9%. A alta do endividamento representa uma das principais fragilidades apontadas pela oposição, muito embora a inflação esteja abaixo das médias históricas, o desemprego permaneça em patamares mínimos e os salários reais registrem avanço.
Logo após a apuração das urnas, Lula defendeu a gestão financeira de seu grupo político e reforçou o papel de seu vice na corrida eleitoral, declarando que ninguém tem autoridade moral para dar lições de seriedade e política fiscal a ele e a Alckmin, considerando o histórico de ambos em São Paulo e no país.
Com informações de Folha de S.Paulo, CNN Brasil, VEJA.
Fonte: Folha de S.Paulo, CNN Brasil, VEJA