HBO Max estreia série documental Morte e mistério na Amazônia
Nova produção investiga os desaparecimentos ligados a Tatunca Nara e à lenda de Akakor.
A nova série documental "Morte e mistério na Amazônia" estreia nesta quinta-feira (10) no serviço de streaming HBO Max, trazendo de volta um dos casos mais enigmáticos da região norte do país. A produção reconstrói a história de exploradores estrangeiros que desapareceram nas décadas de 1970 e 1980 atraídos por uma suposta cidade perdida. Os diretores Tatiana Issa e Guto Barra passaram anos investigando o caso para separar a realidade das lendas locais.
A lenda de Akakor e o guia Tatunca Nara
O caso começou a ganhar repercussão na década de 1970 com boatos sobre Akakor, uma suposta cidade antiga escondida na floresta amazônica. A história ganhou força após o jornalista alemão Karl Brugger publicar o livro "A crônica de Akakor", baseado em conversas com Tatunca Nara. Tatunca se apresentava como líder do povo indígena Ugha Mongulala e afirmava conhecer o caminho para a cidade misteriosa, passando a trabalhar como guia para expedições de estrangeiros.
Atraídos pela promessa de encontrar a cidade perdida, diversos aventureiros viajaram para a região. No entanto, as expedições terminaram em mortes e desaparecimentos que geraram investigações policiais por décadas. Tatunca Nara passou a ser associado ao sumiço de turistas como John Reed, Christine Heuser e Herbert Wanner.
A verdadeira identidade por trás do mito
Investigações posteriores apontaram que Tatunca Nara na verdade se chama Hans Günther Hauck, nascido na Alemanha em 5 de outubro de 1941. Ele chegou ao Brasil por volta de 1966 e adotou novas identidades ao longo dos anos. O jornalista Karl Brugger, que tentava localizar Akakor, acabou assassinado a tiros em Ipanema, no Rio de Janeiro, em 1º de janeiro de 1984, em um caso que nunca foi finalizado oficialmente.
Tatunca Nara continua vivendo na Amazônia e nunca foi acusado formalmente pelos crimes. Na série documental, ele apresenta seu depoimento e nega as acusações, embora seja confrontado com as evidências reunidas pelos produtores.
Bastidores de uma produção complexa e perigosa
A produção de "Morte e mistério na Amazônia" levou oito anos de apuração e envolveu viagens por cinco países: Brasil, Alemanha, Suíça, Noruega e Estados Unidos. A equipe de filmagem enfrentou longas viagens de barco pelo Rio Negro e teve de decifrar milhares de páginas de processos judiciais em alemão, português e suíço.
Durante as gravações, a equipe passou por momentos de tensão. Após uma entrevista mais dura de confrontação com Tatunca Nara, os diretores foram ameaçados de morte no Alto Rio Negro e precisaram fugir do local de barco às pressas. Segundo a diretora Tatiana Issa, ele se revelou um homem extremamente manipulador que tentava driblar as perguntas a todo momento.
O rigor jornalístico diante de um caso sem desfecho
Por se tratar de um caso sem conclusão judicial definitiva, os diretores destacaram a necessidade de manter um rigor jornalístico rígido. Guto Barra explicou que todas as informações apresentadas foram checadas e corroboradas por meio de documentos oficiais e investigações policiais, evitando focar apenas nas narrativas fantásticas das testemunhas.
De acordo com os representantes da Warner Bros. Discovery, Adriana Cechetti e Patricio Díaz, o objetivo da série é desmistificar as lendas coloniais sobre tesouros perdidos e resgatar a identidade das vítimas do caso, dando voz e nome às pessoas que desapareceram na floresta.
Com informações de CNN Brasil, Metrópoles, O TEMPO.
Fonte: CNN Brasil, Metrópoles, O TEMPO