Dana White e a saída de Farid Basharat: o que está por trás da decisão do.
O CEO do UFC, Dana White, aborda a saída controversa de um lutador invicto, enquanto o atleta critica a direção da organização.
A saída do lutador invicto Farid Basharat do UFC, apesar de seu cartel profissional de 16-0 e sete vitórias na organização, tornou-se um dos assuntos mais debatidos no mundo das artes marciais mistas, gerando questionamentos sobre os critérios de contratação e renovação do Ultimate. O CEO do UFC, Dana White, se pronunciou sobre o caso, enquanto Basharat lançou críticas contundentes à direção da promoção.
A saída surpreendente de um invicto
Farid Basharat, que ostenta um impressionante cartel invicto de 16-0 como profissional e 7-0 dentro do octógono do UFC, tornou-se agente livre após a conclusão de seu contrato com a organização. A notícia, reportada pelo MMA Fighting, levantou dúvidas e discussões, visto o histórico impecável do lutador. Durante sua passagem pelo UFC, Basharat conseguiu apenas uma finalização, o que levou a teorias de que seu estilo de luta poderia não ser considerado suficientemente empolgante pelos oficiais.
Basharat conquistou sua vaga no UFC através do Dana White’s Contender Series em 2022 e vinha escalando as classificações do peso-galo sem registrar uma única derrota profissional. Sua última luta no UFC foi uma vitória por decisão unânime sobre John Garza no UFC 329 em julho, completando seu recorde de 7-0 na organização. Após essa vitória, o lutador esperava negociações de contrato, mas o UFC, segundo ele, não o procurou. Em um comunicado, Basharat declarou que sua saída “claramente não tem nada a ver com minhas capacidades de luta” e que a “organização simplesmente não é mais o que costumava ser. Eles estão seguindo uma direção diferente do que todos nós crescemos amando”.
A visão de Dana White sobre as saídas
Após o evento UFC Edmonton, o CEO do UFC, Dana White, foi questionado sobre a situação de Basharat e sugeriu que há mais por trás da decisão do que apenas o desempenho no octógono ou os termos contratuais. White afirmou que, quando os contratos de lutadores chegam ao fim, “definitivamente há uma razão” para que um atleta com um cartel de 16-0 e sete vitórias no UFC não seja recontratado. Ele mencionou que “ou os caras não são bons de se lidar e os casadores de luta não querem lidar com eles, o que pode ser recusar lutas ou qualquer que seja a razão”.
White não deu detalhes sobre o motivo específico da não renovação de Basharat, e nenhuma pergunta de acompanhamento sobre o tópico foi feita. Ele reiterou que um recorde invicto por si só não garante a permanência de um lutador no elenco. O CEO deixou claro que vários fatores podem explicar por que um lutador é dispensado, mas não revelou o que realmente levou à saída de Basharat.
As acusações de Farid Basharat contra o UFC
Farid Basharat, conhecido como ‘Ferocious’, criticou abertamente o UFC e a liderança de Dana White, afirmando que a promoção está perdendo de vista o que torna o MMA verdadeiramente competitivo. Para o lutador de 29 anos, o UFC está priorizando “nocautes espetaculares e finalizações brutais” em detrimento da competição de elite. Basharat acredita que a empresa está “fabricando uma base de fãs que não aprecia lutas de boa qualidade”.
Ele argumentou que, “mesmo que seja uma luta desigual, mesmo que seja uma luta de baixo nível, desde que haja sangue, desde que seja uma finalização no primeiro round, estamos felizes”. Basharat expressou preocupação de que essa abordagem possa “deslegitimar o esporte” a longo prazo, com os fãs eventualmente querendo “lutas de alta qualidade”. Ele defende que o MMA é sobre “ver o melhor contra o melhor”, não “lutas desiguais ou caras de baixo nível indo de igual para igual”. Apesar de suas críticas, Basharat reconheceu o sucesso financeiro do UFC, citando o acordo de sete anos e US$ 7,7 bilhões da promoção com a Paramount, mas sugeriu que o sucesso comercial não significa necessariamente que a empresa esteja priorizando as coisas certas para o esporte.
O histórico de saídas controversas
A situação de Farid Basharat não é um caso isolado de saídas de lutadores do UFC que geraram questionamentos. O irmão de Basharat, também chamado Farid, com um registro de 4-2 e 1 NC no UFC, também deixou a organização este ano após uma vitória sobre Gianni Vazquez. Além disso, o peso-mosca invicto Muhammad Mokaev foi autorizado a deixar o UFC em 2024, após uma vitória sobre Manel Kape no UFC 304.
Quando questionado sobre a saída de Mokaev, Dana White fez comentários enigmáticos, afirmando que “muita coisa ruim aconteceu nos bastidores”. Mokaev esteve envolvido em várias altercações com Kape antes de sua luta. Outro caso mencionado é o de Michael ‘Venom’ Page, que também deixou a promoção após não ter seu contrato renovado, apesar de uma boa sequência de vitórias, e agora assinou com o Misfits Boxing. Estes exemplos indicam que o recorde de vitórias de um lutador nem sempre é o único determinante para sua permanência no UFC.
A defesa de Basharat e o futuro do esporte
Farid Basharat, por sua vez, rejeitou qualquer sugestão de que sua saída tenha sido culpa sua. Em uma postagem no Instagram em 15 de outubro, o peso-galo invicto rebateu a decisão do UFC, afirmando que sempre “apareci e lutei, independentemente de lesões e déficits de peso”. Ele também insistiu que sempre “pedi o adversário mais difícil para me aproximar do título” e que nunca recusou uma luta durante sua trajetória no UFC. Basharat esperava conversas sobre a renovação de contrato após sua vitória por decisão unânime sobre John Garza, mas o UFC, segundo ele, nunca o procurou.
Para Basharat, sua saída, apesar de seu cartel invicto, reforça seu argumento de que o UFC está se preocupando demais com finalizações brutais e violência para agradar aos fãs, enquanto o lado técnico do MMA e os confrontos de elite correm o risco de ficar em segundo plano. Ele questiona a direção que a organização está tomando e o impacto a longo prazo na qualidade do esporte.
Com informações de MMA Fighting, Yardbarker.
Fonte: MMA Fighting, Yardbarker