Como a Colômbia financia a reconstrução após desastres naturais
Do terremoto de 1999 ao inverno de 2010‑2011, o Estado colombiano recorreu a impostos e fundos especiais

Em 10 de agosto de 2026, a reportagem revisita como a Colômbia tem lidado financeiramente com grandes catástrofes naturais. As tragédias provocam destruição de moradias, comércio e infraestrutura, exigindo recursos consideráveis do Estado.
Impacto econômico dos desastres
O terremoto do Eje Cafetero em 1999, de magnitude 6,4, gerou danos estimados em cerca de 1,857 bilhões de dólares, equivalentes a 2,2 % do PIB nacional da época. Já a temporada invernal de 2010-2011 afetou 28 dos 32 departamentos, deixou mais de 2,3 milhões de damnificados e provocou perdas econômicas de 11,2 trilhões de pesos, cerca de 2 % do PIB naquele período.
Fundo para a reconstrução do Eje Cafetero
Após o sismo de 1999, o governo de Andrés Pastrana declarou emergência econômica e instituiu o Fundo para a Reconstrução e Desenvolvimento Social do Eje Cafetero (Forec). Esse fundo passou a gerir os recursos destinados à reparação das áreas atingidas.
Tributos usados após o terremoto de 1999
Para captar recursos, foi criado um imposto de 2 ‰ sobre transações financeiras, inicialmente temporário, que acabou sendo mantido e elevado para 4 ‰. Além disso, foram concedidas isenções de imposto de renda a empresas que se instalassem nas zonas afetadas, bem como isenções de tarifas e de IVA para a importação de máquinas e materiais de reconstrução.
Medidas adotadas na temporada de 2010-2011
No governo de Juan Manuel Santos, o Estado postergou a retirada do imposto de 4 ‰ – já previsto em lei – preservando essa fonte de arrecadação. Também ampliou a base do imposto ao patrimônio e instituiu uma sobretaxa de 25 % para os contribuintes que já pagavam esse tributo. Foram oferecidas deduções por perdas de ativos, alterações na forma de cálculo de alguns tributos e prazos especiais para pagamento das obrigações fiscais. Paralelamente, criou-se o Fundo Adaptação, responsável por financiar projetos de reconstrução.
Estratégia tributária recorrente
Os episódios analisados revelam um padrão de resposta: a adoção de tributos temporários, isenções e benefícios fiscais, além da alocação de recursos do orçamento nacional, visa não apenas cobrir os custos imediatos da emergência, mas também estimular a retomada da produção e a reativação econômica nas regiões afetadas. Dessa maneira, a catástrofe se estende além do dia do evento, representando um gasto prolongado para o Estado colombiano.
Com informações de El Tiempo.
Fonte: El Tiempo