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Colômbia registra pico histórico de geração elétrica em 5 de agosto

O recorde de 264,91 GWh surge com usinas térmicas operando a plena capacidade e reservas hídricas em queda

Daniele Morais
11 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
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Colômbia registra pico histórico de geração elétrica em 5 de agosto
Imagem: "First Color Photograph of Earth from Space" by Dr. Otto Berg - U.S. Naval Research Laboratory is marked with CC0 1.0. To view the terms, visit https://creativecommons.org/publicdo

Em 5 de agosto de 2026, o Sistema Interconectado Nacional da Colômbia registrou a maior geração diária já registrada: 264,91 gigawatts-hora (GWh). O recorde acompanha um cenário de consumo crescente e reservas de água em retração.

Pico de geração em 5 de agosto de 2026

Segundo o relatório diário da operadora XM, a produção de 264,91 GWh superou todas as medições anteriores em uma única jornada. Esse valor representa o ápice da geração até o momento, conforme dados do operador do SIN.

Por que as usinas térmicas acionaram sua capacidade total

Javier Bustos, analista do Observatório Observadores Col e consultor em energia, explicou que o pico ocorreu principalmente porque as usinas térmicas voltaram a operar em plena capacidade, destacando a Tebsa, maior geradora térmica do país. A retomada ocorreu após o término da manutenção da planta regaseificadora SPEC, em Cartagena, responsável por importar o gás usado na produção de eletricidade.

Queda dos reservatórios e pressão sobre a hidroeletricidade

O mesmo analista apontou que a combinação do aumento de geração térmica com a recente manutenção da SPEC elevou o consumo de água nos reservatórios, que recuaram 2 % em apenas dez dias. Bustos advertiu que os lares colombianos deveriam otimizar o consumo de energia enquanto o sistema atravessa esse momento crítico.

Crescimento da demanda e desequilíbrio regional

Relatórios da XM indicam que a demanda tem crescido de forma sustentada. Em maio de 2026, a demanda diária chegou a 261,86 GWh, com potência máxima de 12.475 MW – recordes históricos. O consumo de maio cresceu 8,75 % em relação a 2025, atribuído ao aumento das temperaturas médias e extremas reportadas pelo IDEAM. Em agosto, a demanda atingiu 262,67 GWh por dia, representando crescimento de 7,43 % frente ao mesmo mês de 2025.

O aumento não ocorre de maneira uniforme: a região de Chocó registrou crescimento de 37,52 %, seguida pela zona de Caldas, Quindío, Risaralda e Valle del Cauca (26,75 %). Guaviare, Antioquia, Caribe e centro do país apresentaram incrementos menores, entre 3,65 % e 11,02 %.

Desafios diante do El Niño e recomendações

Para o período 2026-2027, a XM alerta para uma diferença negativa de 5.468 GWh ao ano entre o consumo esperado e a energia firme disponível (Enficc). Comparando com o fenômeno de El Niño de 2015-2016, a demanda atual supera a de então em cerca de 60 GWh-dia. Apenas 20 GWh-dia desse acréscimo são cobertos por energia solar; os restantes 40 GWh-dia dependem de usinas térmicas e hidráulicas, que sofrem quando a água escasseia ou o preço do gás sobe.

O desgaste da rede de transporte e as altas temperaturas já levaram a XM a emitir instruções de desconexão de carga, sobretudo na região Caribe, onde 266 das 281 instruções de 2026 foram executadas. O analista Bustos relaciona o aumento da demanda ao El Niño 2026-2027, que ele prevê até abril, quando as chuvas devem retornar. Enquanto isso, o sistema ficará mais vulnerável tanto em água quanto em custos de gás importado.

Como medida de mitigação, a operadora recomenda a ativação imediata de mecanismos de gestão da demanda, reforço de campanhas de economia de energia e atualização dos prognósticos de consumo, considerando o efeito real das altas temperaturas. Bustos ainda sugere que a Colômbia mantenha entre três e quatro usinas de geração a carvão, destacando que o país já dispõe de cinco a seis unidades, como as de Zipaquirá e Gecelca, e que a energia eólica ainda não decolou, sem novos projetos de grande escala nos últimos quatro anos.

Com informações de El Colombiano.

Fonte: El Colombiano

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