Ajuda internacional cai 23,1% em 2025, maior recuo já registrado
O estudo do Brics Policy Center indica queda de US$ 52,4 bilhões e projeta nova diminuição para 2026

Em 3 de agosto de 2026, o estudo Financiamento para o Desenvolvimento, elaborado pelo Brics Policy Center da PUC-Rio, revelou a maior redução já registrada na ajuda internacional: 23,1% de queda entre 2024 e 2025.
Redução histórica da ajuda em 2025
No ano passado, a soma de recursos destinados à Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD) chegou a US$ 174,3 bilhões, cerca de R$ 900 bilhões. O recuo representou US$ 52,4 bilhões em termos reais, já descontada a inflação. Esse foi o segundo ano consecutivo de diminuição.
Principais doadores e queda de recursos
Os dados foram extraídos do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento (CAD), vinculado à OCDE. Cinco países – França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unidos – responderam por 95,7% da redução. Os EUA lideraram a queda, cortando 56,9% da sua contribuição, o que corresponde a 75,1% do total da diminuição.
Todos os grandes doadores apresentaram queda por dois anos seguidos: Alemanha (-17,4%), França (-10,9%), Reino Unido (-10,8%) e Japão (-5,6%).
Mudança de prioridades: defesa e energia
O estudo aponta que a redução da ajuda internacional coincide com o redirecionamento de recursos para segurança energética e defesa. Nos Estados Unidos, os gastos com defesa subiram de US$ 822,8 bilhões em 2024 para US$ 845,3 bilhões. Na União Europeia, o investimento em defesa cresceu 11%, atingindo 381 bilhões de euros.
O investimento total em energia na UE quase dobrou entre 2015 e 2025, passando de US$ 215 bilhões para cerca de US$ 420 bilhões. “Esse impulso de investimento vem se consolidando ao longo da década e foi fortemente acelerado pelo choque de segurança energética após o início da Guerra da Ucrânia [fevereiro de 2022]”, explica o relatório.
Impactos nos países em desenvolvimento
Os recuos não foram uniformes nos canais multilaterais. O financiamento ao sistema da ONU caiu 27%, o maior declínio já registrado, enquanto o apoio ao Banco Mundial subiu 6,4% e aos bancos regionais de desenvolvimento aumentou 11,9%.
Na África Subsaariana, a região mais afetada, os recursos diminuíram 23% em 2025, ficando em US$ 29,2 bilhões. A projeção para 2026 indica nova queda de 11,6%, equivalendo a US$ 11,8 bilhões a menos.
“Os governos doadores estão redefinindo quais tipos de engajamento multilateral eles consideram dignos de serem preservados, por motivos estratégicos”, afirma o documento.
Apesar da redução de 91% da ajuda dos EUA à Ucrânia, o país permanece o maior recebedor individual da história da AOD, com R$ 44,9 bilhões, supera até o total destinado aos 44 países classificados como Países Menos Desenvolvidos (PMD) – US$ 28,1 bilhões.
Projeções e recomendações para 2026
Os pesquisadores projetam nova diminuição de 6,9% em 2026, configurando terceiro ano consecutivo de recuo e trazendo o patamar de ajuda ao nível de 2014.
Utilizando dados da Oxfam, o estudo estima que os cortes de 2025 geraram 695.238 mortes em excesso e que a continuação da tendência poderia chegar a 9.416.417 mortes até 2030.
Entre as recomendações, destaca-se a necessidade de direcionar recursos escassos para os países mais pobres, planejar saídas de financiamento de forma responsável e coordenada, e tornar a ajuda mais eficaz e geradora de impacto para o desenvolvimento.
Com informações de Agência Brasil.
Fonte: Agência Brasil